Durante atendimento, Júlio, 60 anos, comparece ao hospital ...
Levando em consideração essas características descritas por Júlio, qual é o diagnóstico mais provável?
Gabarito comentado
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Tema central: avaliação de dor torácica com características típicas de isquemia miocárdica (angina). Palavras-chave que orientam o diagnóstico: dor em “aperto/opressão”, localização subesternal e irradiação para braço esquerdo e mandíbula.
Alternativa correta: D – Doença Arterial Coronariana (DAC)
O padrão descrito é clássico de angina típica (3 critérios: dor retroesternal de caráter opressivo, desencadeada por esforço/estresse e alívio com repouso/nitrato; mesmo sem o gatilho explícito, a qualidade e a irradiação são altamente sugestivas). Em um homem de 60 anos, a probabilidade pré-teste de DAC é elevada. Fisiopatologia: aterosclerose coronariana causando desequilíbrio oferta–demanda de O2 e isquemia miocárdica. Diretrizes AHA/ACC 2021 e SBC apontam que esse padrão deve ser tratado como síndrome coronariana até prova em contrário.
Como confirmar/avaliar
- ECG em até 10 minutos da chegada.
- Troponina de alta sensibilidade seriada (0h e 1–3h).
- Estratificação de risco (ex.: TIMI, GRACE).
- Se estável e sem supra de ST: teste funcional ou angiotomografia coronária conforme disponibilidade e risco.
- Conduta inicial: AAS mastigável (160–325 mg), nitrato SL se dor e PAS adequada, oxigênio apenas se SatO2 < 90%.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
A – Refluxo gastroesofágico: costuma causar pirose pós-prandial, regurgitação ácida e melhora com antiácidos. A dor do RGE é queimor retroesternal, mas não tem irradiação típica para mandíbula/braço nem caráter opressivo clássico. O conjunto clínico favorece DAC.
B – Pneumonia: dor geralmente pleurítica (piora ao inspirar/tossir), associada a febre, tosse, expectoração e ausculta com crepitações. O quadro descrito é de dor opressiva isquêmica, sem sintomas infecciosos.
C – Costocondrite: dor localizada e reprodutível à palpação da junção costocondral, de caráter somático, sem irradiação para mandíbula/braço e sem relação típica com esforço. O descritor “aperto opressivo subesternal” afasta essa hipótese.
E – Refluxo gastroesofágico: duplicação da alternativa A. Além do erro de formulário, mantém as mesmas razões para estar incorreta.
Estratégia para a prova: em dor torácica, valorize os “3 As”: Aspecto da dor (opressiva), Área (subesternal) e Alcance (irradiação para braço/jaw). A palavra “queimação” pode confundir com RGE; priorize o conjunto típico isquêmico e a idade.
Referências: AHA/ACC Guideline for the Evaluation and Diagnosis of Chest Pain (2021); Diretrizes da SBC para Síndromes Coronarianas Agudas; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.
Gabarito: D
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