Leia os textos a seguir. TExTO I “Até os colchetes, mais a...
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Com base no mesmo assunto
Ano: 2022
Banca:
FCM
Órgão:
IF-BA
Provas:
FCM - 2022 - IF-BA - Administrador
|
FCM - 2022 - IF-BA - Arquiteto e Urbanista |
FCM - 2022 - IF-BA - Arquivista |
FCM - 2022 - IF-BA - Enfermeiro-Área |
FCM - 2022 - IF-BA - Contador |
FCM - 2022 - IF-BA - Assistente Social |
FCM - 2022 - IF-BA - Auditor |
FCM - 2022 - IF-BA - Bibliotecário-Documentalista |
FCM - 2022 - IF-BA - Engenheiro-Área: Civil |
FCM - 2022 - IF-BA - Médico-Área |
FCM - 2022 - IF-BA - Nutricionista-Habilitação |
FCM - 2022 - IF-BA - Odontólogo |
FCM - 2022 - IF-BA - Pedagogo-Área |
FCM - 2022 - IF-BA - Engenheiro de Segurança do Trabalho |
FCM - 2022 - IF-BA - Técnico em Assuntos Educacionais |
FCM - 2022 - IF-BA - Analista de Tecnologia da Informação |
Q4078340
Português
Texto associado
A QUESTÃO SE REFERE AO
TEXTO SEGUINTE.
Piscar (;) e chorar (;‒;)
Mário Sérgio Conti*
O ponto e vírgula corre risco de extinção: o simpático sinal de pontuação não foi usado nos últimos três
dias na Folha. Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que
é bom, nenhunzinho. Em contrapartida, abundam
os pontos de exclamação, enterrados no jornal pelo
bate-estaca de colunistas fanfarrões. Adicione-se ao
estrondo exclamativo o ponto final por extenso.
Escasseiam também as reticências, irônicas ou não;
o travessão, que abre uma fala ou completa o escrito; até os parênteses, que encapsulam outro sentido,
como faz Drummond em "(não cantarei o mar: que
ele se vingue de meu silêncio nesta concha)".
A pontuação é uma forma histórica. Os livros de Aristóteles, Platão e da Bíblia não tinham pontuação;
nem minúsculas; nem espaço entre as palavras! Deus
não escrevia certo por linhas tortas; escrevia embolado. O evangelho de João começava assim:
NOPRINCÍPIOERAOVERBOEOVERBOESTAVAEMDEUSEOVERBOERADEUS.
Foi com tijolos textuais como esse que se construiu
o saber ocidental. Porque, como disse Aristóteles,
OHOMEMÉUMANIMALPOLÍTICO. Gregários, os homens adotam convenções para se comunicar e mudar; mudar inclusive as convenções.
Foi o que fez Aldus Manutius, o editor veneziano que,
em fevereiro de 1494, inventou o ponto e vírgula.
Quem conta sua história é a professora Cecelia Watson, num livro delicioso, "Semicolon: Past, Present,
and Future of a Misunderstood Mark". Renascentista, Manutius queria popularizar o conhecimento.
Não havia padronização nem academias que policiassem o idioma. Era uma algazarra. Cada um pontuava
como lhe desse na telha.
Ao publicar "O Etna", ensaio em forma de diálogo sobre o vulcão ‒ de autoria do cardeal Pietro Bembo,
Manutius teve a divina ideia de captar a elocução do
distinto prelado. Criou o símbolo gráfico que marca
pausa maior que a da vírgula e menor que a do ponto. Com a obra pronta, vieram as regras: o ponto e
vírgula separa orações numa mesma frase; organiza listas; economiza conectivos (e) ou adversativas
(mas). Permaneceu perene, porém, o preceito básico
‒ registrar um silêncio específico, advindo da linguagem oral.
A engenhoca de Manutius ganhou o mundo. "MobyDick" tem 4.000 pontos e vírgulas, informa Cecelia
Watson, "um a cada 52 palavras". Machado de Assis, mais comedido e certeiro, mereceria o título de
mestre do ponto e vírgula na periferia do capitalismo. Henry James não escrevia sem ter ao lado da
escrivaninha um barril de pontos e vírgulas. Chegou
à inverter a ordem de importância entre pontuação
e palavras. Numa rara entrevista, ao Times, insistiu
para que o repórter anotasse sua "pontuação, bem
como as palavras".
A coisa mudou no século passado. Orwell, Barthelme, Chandler e tantos outros desprezaram o miniponto de Manutius. Vonnegut teve o topete de dizer
que pontos e vírgulas são "hermafroditas que não
representam absolutamente nada".
É meio assim no Brasil. Nos seis contos exímios que
Dalton Trevisan publicou e distribuiu no início do ano,
num livreto de 32 páginas, não há um único ponto
e vírgula. Dalton deixa que seus personagens e leitores deem uma paradinha onde bem entenderem.
Em contrapartida, o ponto e vírgula virou emoji, um
derivado dos signos de pontuação. Dois pontos e
vírgulas, com um travessão no meio, mostram uma
carinha derramando uma lágrima de cada olho ;–;.
Sozinho, representa uma piscada ;.
No ensaio "Sinais de Pontuação", Adorno prefigurou esse uso figurativo. O ponto de exclamação é
um dedo em riste ameaçador, disse. Os dois pontos
abrem a boca, "e coitado do escritor que não souber
saciá-los". "Marotas e satisfeitas", as aspas "lambem
os lábios".
Para Adorno, o ponto e vírgula parece "um bigode
caído" e passa "um sabor rústico". Como quase ninguém mais tem bigode, o ponto e vírgula, com tantos
serviços prestados, está à beira do desuso.
* Jornalista e escritor.
Folha de São Paulo, 27 de maio de 2022. Adaptado.
Leia os textos a seguir.
TExTO I
“Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que é bom, nenhunzinho. Em contrapartida, abundam os pontos de exclamação, enterrados no jornal pelo bate-estaca de colunistas fanfarrões. Adicione-se ao estrondo exclamativo o ponto final por extenso”.
TExTO II

Disponível em: <https://br.pinterest.com/pin/382806037074799131/>.
Avalie o que se afirma sobre os dois textos.
I – No Texto II, as palavras “Você” e “isto” pertencem à mesma classe gramatical; já “irônica” e “sozinha” qualificam o termo ao qual respectivamente se referem.
II – Em “Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que é bom, nenhunzinho.” (Texto I), o diminutivo confere um tom irônico e bem-humorado à frase.
III – Nas orações “abundam os pontos de exclamação” (Texto I) e “Descobriu isto sozinha?” (Texto II), com base na transitividade verbal, é correto afirmar que os verbos destacados são intransitivos.
IV – No Texto I, alterando-se a expressão “o ponto final” para o plural, o último período assumirá, em conformidade com a norma-padrão de concordância da língua portuguesa, a seguinte redação: “Adicionese ao estrondo exclamativo os pontos finais por extenso”.
Está correto apenas o que se afirma em
TExTO I
“Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que é bom, nenhunzinho. Em contrapartida, abundam os pontos de exclamação, enterrados no jornal pelo bate-estaca de colunistas fanfarrões. Adicione-se ao estrondo exclamativo o ponto final por extenso”.
TExTO II

Disponível em: <https://br.pinterest.com/pin/382806037074799131/>.
Avalie o que se afirma sobre os dois textos.
I – No Texto II, as palavras “Você” e “isto” pertencem à mesma classe gramatical; já “irônica” e “sozinha” qualificam o termo ao qual respectivamente se referem.
II – Em “Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que é bom, nenhunzinho.” (Texto I), o diminutivo confere um tom irônico e bem-humorado à frase.
III – Nas orações “abundam os pontos de exclamação” (Texto I) e “Descobriu isto sozinha?” (Texto II), com base na transitividade verbal, é correto afirmar que os verbos destacados são intransitivos.
IV – No Texto I, alterando-se a expressão “o ponto final” para o plural, o último período assumirá, em conformidade com a norma-padrão de concordância da língua portuguesa, a seguinte redação: “Adicionese ao estrondo exclamativo os pontos finais por extenso”.
Está correto apenas o que se afirma em