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Q4194231 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão


Por que é melhor comer com inteligência do que contar calorias?


A sabedoria popular indica que a solução para manter o peso saudável é contar quantas calorias ingerimos e quantas nós gastamos.


Este cálculo faz sentido: a energia que entra em comparação com a que sai. Parece simples, não é mesmo?


Mas esta forma de pensar desconsidera uma verdade importante: nem todas as calorias da nossa alimentação são iguais.


Na verdade, existe uma complexa interação biológica ocorrendo no interior do nosso corpo, influenciada pelo tipo de alimento que ingerimos, pela rapidez com que o consumimos e pela sua interação com a agitada comunidade de micróbios que vive nos nossos intestinos.


"Esta é uma área de pesquisa em enorme expansão", afirma a professora de nutrição Sarah Berry, do King's College de Londres.


"Estamos realmente começando a ver como a nossa reação aos alimentos varia e que eu posso comer algo que irei metabolizar de forma muito diferente da sua, em relação ao mesmo alimento."


Quando comemos


O que comemos certamente ainda é importante. Uma alimentação rica em legumes e verduras frescas será melhor do que se for dominada por x-búrguers.


Mas esta consideração está longe de ser a única.


O horário da refeição, por exemplo, também influencia a qualidade da digestão e quais nutrientes serão absorvidos pelo nosso corpo.


Um estudo demonstrou que mulheres obesas e com excesso de peso perderam mais peso ao consumir a maior parte das suas calorias no horário do café da manhã, em comparação com aquelas que comiam mais à noite, mesmo que o total de calorias fosse o mesmo.


Outro pequeno estudo, realizado por pesquisadores do Reino Unido, concluiu que reduzir o período de tempo entre a primeira e a última refeição do dia pode fazer com que você, ao todo, coma menos calorias.


Quando adultos saudáveis, mas levemente acima do peso, postergaram sua primeira refeição do dia em uma hora e meia e comeram pela última vez 90 minutos mais cedo que o normal, sua ingestão de energia foi menor e eles sofreram redução da gordura corporal, em comparação com um grupo controle, mesmo tendo acesso à mesma quantidade de comida.


Os cientistas acreditam que isso pode ocorrer porque o nosso ritmo circadiano é conectado a como digerimos e metabolizamos os alimentos. Este é um campo emergente de pesquisa conhecido como crononutrição.


E comer mais cedo também pode ajudar. Pesquisadores da Espanha descobriram que as pessoas que almoçam mais cedo perderam peso ou mantiveram peso mais baixo com mais facilidade do que aquelas que comem após as 15 horas.


Também podemos reavaliar o horário dos nossos lanches, pois as pesquisas relacionaram os lanches após as 21 horas a altos níveis de colesterol ruim e açúcar no sangue, o que pode aumentar o risco de obesidade e doenças cardiovasculares.


Nos EUA e no Reino Unido, cerca de 25% da nossa energia diária vêm dos lanches. Por isso, repensar o que lanchamos e quando fazemos pode melhorar nossa saúde.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/czxr55plyk5o- fragmento

"Nos EUA e no Reino Unido, cerca de 25% da nossa energia diária vêm dos lanches."


Com base nas regras de concordância verbal, analise as afirmativas a seguir:


I. A forma verbal 'vêm' pode ser flexionada no singular para estabelecer concordância com a expressão 'da nossa energia', que se encontra no singular.


II. A mesma concordância adequada observada no trecho acima observa-se na frase: 'Hoje, 10% das pessoas apresenta algum grau de compulsão alimentar'.


III. Em expressões partitivas, a concordância verbal assemelha-se à das expressões de porcentagem, admitindo-se, conforme o contexto, duas possibilidades de flexão, como em 'A maioria das pessoas apresenta grau de compulsão alimentar', sendo igualmente correta a construção com o verbo no plural.


IV. Na frase 'Bastam de mentiras' observa-se também concordância verbal adequada, embora por regras distintas das apresentadas anteriormente.



Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições corretas.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão exige distinguir concordância em porcentagem, em expressão partitiva e na estrutura com “basta de”. No trecho “Nos EUA e no Reino Unido, cerca de 25% da nossa energia diária vêm dos lanches.”, a concordância não se resolve pelo singular de “energia”; por isso a afirmativa I não se sustenta. A II também não se sustenta, porque, em construções percentuais com termo plural expresso, a concordância pode orientar-se pelo plural. A IV é inadequada, pois o uso normativo é “Basta de mentiras”, e não “Bastam de mentiras”.

Tema central: Concordância verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui I e II. A I simplifica indevidamente a concordância do trecho percentual ao dizer que o singular se justificaria por “da nossa energia” estar no singular; a base rejeita essa explicação. A II também erra, porque, em “10% das pessoas apresenta...”, a porcentagem com termo plural expresso admite concordância concorrente com o plural, de modo que a frase não reproduz de forma segura a mesma concordância do trecho-base.
B
Errada
Está errada porque inclui a afirmativa I. Embora a III esteja correta, a I não está: ela falseia o critério de concordância da expressão percentual do texto-base ao atribuir a flexão verbal apenas ao substantivo singular “energia”, ignorando a estrutura de porcentagem.
C
Certa
A alternativa C está correta porque traz apenas a afirmativa III, que corresponde à regra normativa aplicável às expressões partitivas. Em estruturas como “a maioria das pessoas”, admite-se a concordância tanto com o núcleo partitivo (“maioria”) quanto com o termo plural especificador (“pessoas”), de modo que é correta a afirmação de que o verbo pode ir ao singular ou ao plural conforme a construção.
D
Errada
Está errada porque inclui I e IV, ambas incorretas. A I erra pela mesma razão já indicada: a concordância no trecho não se resolve mecanicamente pelo singular de “energia”. A IV também está errada porque “Bastam de mentiras” não é construção normativa adequada nesse caso; o uso consagrado é “Basta de mentiras”, com valor impessoal e invariável da expressão.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões reais: levar o candidato a concordar o verbo automaticamente com o substantivo singular mais próximo, “energia”, e tratar “de mentiras” como se houvesse um sujeito plural em “Bastam de mentiras”, ignorando a expressão cristalizada “basta de”.
Dica para questões semelhantes
  • Em porcentagens, não decida a concordância apenas pelo substantivo singular mais próximo; observe a estrutura percentual completa.
  • Em expressões partitivas, verifique se a norma admite concordância com o núcleo partitivo ou com o termo plural especificador.
  • Desconfie de construções fixas como “basta de”: nem sempre elas seguem a lógica comum de sujeito e verbo.

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