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Q2041187 Medicina
Paciente feminina, 43 anos, relata que há alguns meses vem apresentando intolerância para alimentos gordurosos, plenitude pós prandial e por vezes, náusea matinal. Relata que há 12 horas apresenta náuseas, vômitos e dor abdominal em hipocôndrio direito e epigástrio com irradiação dorsal. Nega febre ou calafrios. Foi submetida a exame de ultrassom abdominal que evidenciou vesícula túrgida com leve espessamento da parede e cálculo de 1,7 cm localizado no infundíbulo da vesícula, imóvel. No hemograma encontramos: hematócrito: 45%; hemoglobina: 11,2 g/dL e leucócitos: 8.300 sem formas jovens. Enzimas hepáticas em níveis dentro da normalidade. Foi medicada com escopolamina + dipirona + cetoprofeno. Após uma hora sem apresentar melhora, foi medicada com tramadol, com melhora parcial.
Assinale a opção que indica o diagnóstico mais provável.
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Tema central da questão: O foco está na interpretação clínica de quadros biliares agudos, especialmente no diagnóstico diferencial entre cólica biliar, colecistite aguda e outras patologias gastrointestinais.

Raciocínio clínico para a alternativa correta – C (Cólica biliar refratária):

O quadro descreve paciente com intolerância a gorduras, dor em hipocôndrio direito/epigástrio com irradiação dorsal, náuseas e vômitos persistentes há 12 horas. O ultrassom mostra cálculo impactado no infundíbulo (colo) da vesícula, parede discretamente espessada, mas sem sinais de processo inflamatório importante. Laboratorialmente, não há leucocitose nem febre, nem alterações de enzimas hepáticas, descartando inflamação sistêmica.

Destaque: O diagnóstico de “cólica biliar refratária” é adequado quando a dor persiste mesmo após a terapêutica habitual com antiespasmódicos e analgésicos, como ilustrado após uso de escopolamina, dipirona e cetoprofeno, obrigando o uso de opioide.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Colecistite aguda litiásica: Segundo as Guidelines de Tokyo 2018, ausência de febre, leucocitose e sinais sistêmicos afastam este diagnóstico. O leve espessamento isolado da parede, sem outros critérios clínicos, não confirma colecistite.
  • B) Litíase da via biliar principal: Caracteriza-se por icterícia, elevação de enzimas hepáticas e, muitas vezes, febre, não presentes aqui. O cálculo visualizado está apenas na vesícula.
  • D) Hepatite viral aguda: Típica por icterícia, aumento de transaminases e sintomas sistêmicos. Não há dados laboratoriais ou clínicos compatíveis.
  • E) Úlcera péptica tenebrante: Cursa com dor epigástrica, mas ausência de relação temporal com gorduras, além de não explicar cálculo biliar e achados de ultrassom.

Como estratégia de prova, atenção ao tempo de evolução dos sintomas, à refratariedade à analgesia convencional e à ausência de sinais inflamatórios sistêmicos. Questões do tipo frequentemente trazem pegadinhas por achados de imagem isolados ou palavras de efeito, portanto, sempre correlacione clínica, laboratório e exame de imagem.

Citação de diretriz:
“O diagnóstico de colecistite aguda é baseado em sinais clínicos locais, sistêmicos de inflamação e achados de imagem compatíveis” (Guidelines de Tokyo 2018). Na ausência de critérios completos, não se deve fechar diagnóstico de colecistite aguda.

Resumo: O quadro é compatível com cólica biliar refratária, não havendo evidências clínicas ou laboratoriais para outras hipóteses destacadas.

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O diagnóstico mais provável para essa paciente é cólica biliar refratária, indicado pelos sintomas de intolerância para alimentos gordurosos, plenitude pós-prandial e náusea matinal, além de dor abdominal em hipocôndrio direito e epigástrio com irradiação dorsal. O exame de ultrassom abdominal evidenciou cálculo de 1,7 cm localizado no infundíbulo da vesícula, o que sugere a presença de cálculos biliares. O hemograma apresentou níveis normais de enzimas hepáticas e leucócitos, o que descarta uma hepatite viral aguda. Além disso, a paciente apresentou melhora parcial após a administração de tramadol, o que indica que a dor era de origem biliar. Portanto, o diagnóstico mais provável é cólica biliar refratária.

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