A cárie dentária é uma doença
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Tema central: Cárie dentária como doença biofilme-mediada, dependente de dieta e multifatorial. Envolve interação entre microbiota dental, açúcares fermentáveis, tempo e fatores do hospedeiro (saliva, morfologia do dente, exposição ao flúor) e comportamento. Essa é a definição aceita por diretrizes atuais (ICCC/ORCA, FDI; Ministério da Saúde; ADA; UpToDate; Fejerskov & Kidd).
Alternativa correta: E — “multifatorial”. Justificativa: a cárie resulta de um desequilíbrio entre desmineralização e remineralização do esmalte/dentina. O biofilme com bactérias acidogênicas/acidúricas (ex.: Streptococcus mutans, Lactobacillus) metaboliza açúcares, baixando o pH (≈5,5) e promovendo desmineralização. Fatores protetores (saliva, flúor, higiene, dieta com baixa frequência de açúcar) favorecem remineralização. Assim, risco e atividade de cárie dependem de múltiplos componentes biológicos, comportamentais e sociais, não de um único agente.
Fisiopatologia aplicada: maior frequência de açúcar (mais que a quantidade), hipossalivação (medicamentos, xerostomia), higiene ineficaz e baixa exposição ao flúor favorecem a disbiose do biofilme e a progressão da lesão. Isso explica por que intervenções efetivas combinam educação em dieta, controle mecânico do biofilme e flúor (Diretrizes Ministério da Saúde; ADA 2018/2020; UpToDate).
Análise das alternativas incorretas
A — “causada por fungos”: incorreta. Embora Candida possa estar associada em casos específicos (ex.: cárie severa na primeira infância), não é agente causal primário. A patogênese é dominada por bactérias do biofilme e fatores do hospedeiro/dieta (Fejerskov & Kidd; UpToDate).
B — “hereditária”: incorreta. Há predisposições (morfologia de sulcos, composição salivar, condições sistêmicas), mas cárie não é determinada geneticamente. É uma doença não transmissível, multifatorial e modificável por ambiente e comportamento (FDI; MS).
C — “exclusiva de crianças”: incorreta. Acomete todas as idades. Em adultos/idosos, é comum a cárie radicular pela recessão gengival e hipossalivação medicamentosa (ADA; UpToDate).
D — “causada por vírus”: incorreta. Não há evidência de etiologia viral direta. O componente microbiano relevante é bacteriano, em sinergia com dieta e tempo.
Estratégia de prova: desconfie de termos absolutos como “exclusiva” e “hereditária” sem qualificador. Em cárie, procure palavras-chave: biofilme, açúcar, tempo, saliva, flúor, comportamento → isso indica a natureza multifatorial.
Referências úteis para revisão: Fejerskov & Kidd – Dental Caries; International Caries Consensus Collaboration/FDI; Diretrizes de Saúde Bucal – Ministério da Saúde (SUS); ADA caries management guidelines; UpToDate – Dental caries: pathogenesis and management.
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