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Ano: 2026
Banca:
IV - UFG
Órgão:
Prefeitura de Buriti Alegre - GO
Prova:
IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Buriti Alegre - GO - Coveiro |
Q4303942
Português
Texto associado
Texto 4
O quanto da sua vida é baseado na internet?
Thiarlley Valadares
WhatsApp, Instagram, Pinterest. Twitter, para alguns. Facebook
virou coisa "de gente velha". Snapchat ainda existe? Tumblr pra ler,
Spotify para ouvir, YouTube para assistir; tantos blogs nessa
interwebs que já nem dá pra contar – nunca deu, na verdade.
Eu sei que parece hipócrita uma crônica num blog, dentro da
internet, fazer uma análise sobre como vivemos aqui na web. Mas,
ei, é pra isso que estamos aqui! Se não pudermos usar do
ciberespaço para criticar o uso do próprio por nós mesmos, qual o
ponto?
Enquanto conversava com um amigo de infância – nos
conhecemos desde a sexta série – comentamos sobre como estão
alguns de nossos colegas do ensino médio, até que foi mencionado
que há muito não via um deles pessoalmente. "A gente acha que
ver as pessoas na internet é o suficiente, né" disse ele, após rir.
Depois que ele foi embora, coloquei-me a pensar nessa frase.
Desde a faculdade que estudo sobre internet e suas nuances,
então, frases e discussões do tipo sempre ficam martelando na
minha cabeça.
E aí, pensei naquele clichê que já falamos mil vezes e, ainda assim,
insistimos em não levar a sério. O quanto da sua vida é baseada
no que se vê na internet? O quanto você mostra ou deixa de
mostrar nas fotos do Instagram, nos tweets, nos stories?
Falando por mim mesma – e eu adoro essa frase, pois, por quem
mais eu poderia falar? – sou um completo desastre. Minha conta
no twitter, por exemplo, é o maior livro aberto da minha vida. Passo
horas analisando meu perfil do Instagram e pensando: "Será que
as fotos combinam? Se uma pessoa que não me conhece olhar o
meu perfil, o que ela vai achar? Que eu sou legal? Que pareço
capenga?". Passo horas na conta do blog buscando novos
seguidores, novas curtidas e visualizações, com a desculpa que é
um investimento de tempo, buscando o crescimento do Apenas.
Mas... será?
Analisando o meu próprio consumo com um olhar social e, por que
não, pós-moderno, percebi que falhei como ser humano enquanto
ser social, inserido na internet. Afinal, o que faz de um perfil
adequado para ser acessado? Por que eu devo almejar um perfil
com X seguidores? Se as minhas fotos não combinam, então eu
falhei como usuária daquela rede? Tudo da minha vida deve ser,
mesmo, publicado no twitter? Eu devo alguma satisfação aos meus
seguidores?
As respostas para cada uma dessas perguntas são óbvias e nós
sabemos, mas fingimos que não. Guardamos lá no fundo da
consciência que não devemos nada a ninguém e que não deveria
importar quantos nos seguem, quantos nos curtem, quantos nos
veem.
E, de novo, parece clichê, parece óbvio, mas por que a gente não
se escuta? Por que é tão difícil deixar o celular para ler um bom
livro? Apreciar uma ida a uma praça, o tempo com alguém querido
ou até mesmo um tempo de ócio consigo mesmo?
Porque nos foi dito que a vida não para. Que enquanto "eles
dormem" precisamos garantir nosso diferencial. Então nos
iludimos, com aplicativos, sites e cursos on-line para crescimento
pessoal e profissional quando, na verdade, só perdemos tempo.
Não vou concluir dizendo o que você deve ou não fazer. Usando o
meu exemplo, irei continuar refletindo nos conselhos que dei a mim
mesma, deixando o aplicativo do notas do celular, onde escrevi
inicialmente essa crônica, de lado para um tempo de ócio ao lado
do meu namorado.
Parece hipocrisia toda essa narrativa enquanto ele joga no celular
à espera que eu termine? Parece.
Porque é.
Disponível em: https://www.apenasfugindo.com/2020/01/cronica-o-quanto-dasua-vida-e-baseado.html. Acesso em: 5 jul. 2026.
A crônica é um gênero textual que, em geral, parte de
situações comuns do dia a dia. Sua função social é