Sobre a contribuição do pensamento politico clássico para a ...

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Q3541452 Sociologia
Sobre a contribuição do pensamento politico clássico para a Ciência Politica, leia o texto abaixo:

O primeiro e tradicional modo de compreensão da filosofia politica “é entendê-la como descrição, projeção, teorização da ótima republica ou, se quisermos, como a construção de um modelo ideal de Estado, fundado sobre alguns postulados éticos últimos” [...]. “O segundo modo de se compreender a filosofia politica é tomá-la como fundamento ultimo do poder” (...), “uma teoria sobre a justificação e legitimação do poder”. Aqui, “a relação entre filosofia politica e ciência politica é muito mais estreita”. Numa terceira acepção, a filosofia politica € entendida como “a determinação do conceito geral de ‘politica’ como atividade autônoma” (...) No terceiro caso, a relação entre filosofia politica e ciência politica é de continuidade.
Norberto Bobbio. Teoria Geral da Politica: a filosofia politica e as lições dos clássicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000, p. 67-72.

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Alternativa correta: C

1. Tema central e relevância:

A questão trata da contribuição do pensamento político clássico para a Ciência Política, especificamente a partir das três acepções expostas por Norberto Bobbio sobre filosofia política: modelo ideal de Estado (normativo), teoria da legitimação do poder e a compreensão da política como atividade autônoma. Para resolver a questão, é essencial reconhecer essas distinções e saber situar o pensamento de autores clássicos (como Maquiavel e Hobbes) diante delas.

2. Resumo teórico progressivo:

Norberto Bobbio (2000) descreve três principais formas de entender a filosofia política:

  • Primeira acepção: Construção de modelos ideais de Estado baseados em princípios éticos (como Platão).
  • Segunda acepção: Fundamentação e legitimação do poder do Estado (como Hobbes).
  • Terceira acepção: Compreensão da política como atividade autônoma, separada da moral e da religião (como Maquiavel).

Maquiavel, em O Príncipe, rompe com o idealismo normativo e destaca que a política tem lógicas próprias, distintas da moral cristã. Esse é o ponto central da terceira acepção.

3. Justificativa da alternativa correta (C):

A alternativa C está correta porque reconhece que Maquiavel inicia uma abordagem realista ao tratar a política como esfera autônoma, separada da moralidade tradicional. Ele mostra que a política tem suas próprias regras e racionalidades, o que Bobbio chama de terceira acepção da filosofia política. Esse é o entendimento mais aceito nos estudos clássicos (cf. Bobbio, 2000).

4. Análise das alternativas incorretas:

  • A: Incorreta, pois Maquiavel não fundamenta a legitimidade do poder a partir dos cidadãos, mas sim a partir da eficácia do poder e da manutenção do Estado.
  • B: Incorreta, pois Maquiavel não assume uma perspectiva idealista; pelo contrário, ele se afasta dos modelos ideais e propõe uma análise pragmática.
  • D: Incorreta, pois tanto Hobbes quanto Maquiavel não propõem modelos normativos-prescritivos ideais no sentido clássico, mas análises voltadas à realidade política, especialmente Maquiavel.
  • E: Incorreta, pois Maquiavel não busca a melhor forma de governo a partir de princípios éticos, mas sim a mais eficaz para a realidade italiana da época.

5. Estratégia para responder questões assim:

Procure identificar os conceitos-chave no enunciado (modelo ideal, legitimação do poder, autonomia da política) e relacione-os aos autores estudados. Cuidado com pegadinhas que confundem “idealismo” com “pragmatismo”.

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