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Analise as assertivas sobre o número de fonemas das palavras...

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Q3910443 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

O que vale nessa vida não cabe em algoritmo

 

O que vale nessa vida, nós ainda não sabemos. E talvez seja justamente essa ignorância que nos mantém vivos. Passamos séculos tentando explicar o inexplicável — com deuses, com teorias, com manuais de autoajuda — e seguimos errando, mas com elegância. Montaigne, em seus Ensaios, já desconfiava disso quando escreveu: “Mais vale uma cabeça bem-feita do que uma cabeça cheia.” Nós, humanos, seguimos com as duas meio tortas.

O que vale nessa vida tem o nosso jeito —um jeito malfeitor, hesitante, às vezes belo por engano. O jeito de quem pensa que entende o amor, mas ainda tropeça no próprio medo. Pascal, em Pensamentos, dizia que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. E é aí que moramos: nesse espaço entre o cálculo e o caos.

Somos criaturas curiosas. Capazes de criar sinfonias e guerras, poesia e fake news, ternura e destruição. Dostoievski nos avisou, em Os Irmãos Karamázov, que “todos somos culpados de tudo e por todos”. Talvez por isso sejamos tão inquietos: carregamos a culpa de um mundo inteiro dentro do peito.

O que vale nessa vida, se ainda vale alguma coisa, talvez seja o gesto. O gesto pequeno, humano, falho —aquele que ajeita uma confusão que nem é nossa.

Guimarães Rosa dizia em Grande Sertão: Veredas: “Viver é muito perigoso.” E mesmo assim vivemos — teimosamente. Acordamos, trabalhamos, amamos e fracassamos com uma dignidade que beira o heroísmo. Entre a fome e o riso, seguimos apostando em dias melhores, mesmo sabendo que o jogo é viciado.

O que vale nessa vida talvez seja esse dom humano de suportar o insuportável. Albert Camus, em O Mito de Sísifo, chamou isso de revolta: “O único problema filosófico realmente sério é o suicídio.”

E nós, por pura teimosia, escolhemos não morrer. Escolhemos continuar. Escolhemos rir no meio da tragédia e amar mesmo sabendo que tudo desaba.

Há, em nós, um modo estranho de ajeitar o caos. T.S. Eliot, em Quatro Quartetos, escreveu: “O tempo presente e o tempo passado estão ambos talvez presentes no tempo futuro.” É o jeito dele dizer que estamos condenados a repetir o que sentimos. Que a vida é cíclica, e o que cura hoje pode ferir amanhã. Ainda assim, insistimos em chamar isso de amor.

Byung-Chul Han, em A Agonia do Eros, explica que vivemos numa era onde o outro se tornou ameaça. E é por isso que amar, hoje, é quase um ato revolucionário. Amar de verdade — sem performance, sem filtros, sem publicidade — é dizer ao mundo: “eu ainda sou humano”. Eduardo Galeano, em O Livro dos Abraços, escreveu que “somos o que fazemos para mudar o que somos”. Talvez seja por isso que seguimos — não porque sabemos o caminho, mas porque o andar é o único verbo que nos resta.

Graciliano Ramos, o mais sóbrio dos realistas, deixou em Vidas Secas a constatação de que até o silêncio tem sede. E nós, os humanos, seguimos sedentos — de verdade, de ternura, de sentido.

Jean-Jacques Rousseau dizia em O Contrato Social que “o homem nasceu livre, e por toda parte se encontra acorrentado”. Talvez sejamos isso mesmo — seres que amam as próprias correntes. Gostamos de reclamar da prisão, mas temos medo da porta aberta.

No fim, o que vale nessa vida é o nosso jeito de continuar, mesmo quebrados, mesmo cansados, mesmo sem entender nada. O mundo se repete, o caos nos visita, mas nós, os humanos, seguimos ajeitando o impossível.

Enquanto os algoritmos tentam prever quem somos, seguimos sendo imprevisíveis. Talvez seja justamente essa falha, essa incoerência, esse jeito de tropeçar e levantar, que torna o ser humano a mais bela imperfeição da Terra.

 

Autor: Felipe Daroit (adaptado).

Analise as assertivas sobre o número de fonemas das palavras heroísmo, apostando e melhores.
I. A palavra heroísmo possui 8 fonemas, considerando a realização vocálica e o hiato presente.
II. A palavra apostando apresenta 8 fonemas e 1 dígrafo vocálico.
III. A palavra melhores contém 7 fonemas e 1 dígrafo consonantal.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a correspondência entre letras e fonemas, com identificação de hiato e de dígrafos nas palavras "heroísmo, apostando e melhores"; aplicando esse critério escolar, a contagem de 8 fonemas em "heroísmo" não se sustenta na forma indicada pela assertiva I, enquanto em "apostando" a banca admite 8 fonemas com dígrafo vocálico em "an" e em "melhores" aceita 7 fonemas com dígrafo consonantal em "lh", o que leva à alternativa A.

Tema central: Contagem de fonemas
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque é a única compatível com o critério fonológico adotado pela banca: I é rejeitada por trazer uma contagem fonêmica para "heroísmo" que não é acolhida; II é aceita porque, no padrão escolar presumido pela questão, "apostando" pode ser analisada com 8 fonemas e com dígrafo vocálico em "an"; III também é aceita porque, em "melhores", "lh" funciona como dígrafo consonantal, isto é, duas letras representando um único fonema, o que sustenta a contagem apresentada.
B
Errada
Está errada porque exclui a assertiva III. Pela base adotada pela banca, "melhores" contém dígrafo consonantal em "lh", e essa redução na correspondência letra/fonema sustenta a validade de III.
C
Errada
Está errada porque exclui a assertiva II. A base informa que, em "apostando", a banca aceita a leitura com 8 fonemas e a ocorrência de dígrafo vocálico em "an"; portanto, II não pode ser descartada.
D
Errada
Está errada porque inclui a assertiva I como correta. A base é expressa ao afirmar que, em "heroísmo", a contagem de 8 fonemas indicada na assertiva I não se sustenta no critério normativo esperado para a questão.
Pegadinha da questão
A confusão real está em tomar número de letras como número de fonemas e, sobretudo, em não separar os casos de hiato e dígrafo: "heroísmo" induz erro de contagem, "apostando" exige o critério escolar adotado para a nasalidade em "an", e "melhores" exige reconhecer que "lh" representa um único fonema.
Dica para questões semelhantes
  • Não conte letras; verifique primeiro se há hiato ou dígrafo, porque isso altera diretamente o número de fonemas.
  • Em sequência como "lh", trate as duas letras como um único fonema quando a banca estiver cobrando dígrafo consonantal.
  • Em palavras com vogal seguida de n/m na mesma sílaba, confirme qual critério escolar a questão está adotando para a nasalidade antes de fechar a contagem.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

heroísmo- 8 letras , 7 fonemas não se pronuncia o H.

Apostando- 9 letras ,8 fonemas e 1 digrafo no ndo, digrafo vocalíco

# PMMG

TROPA OBA.

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