Um lactente de 1 mês chega ao ambulatório de infectopediatri...
Um lactente de 1 mês chega ao ambulatório de infectopediatria para avaliação de toxoplasmose congênita. A mãe teve uma única coleta de sorologia para toxoplasmose no 2º trimestre de gestação com IgM e IgG positivas, com alta avidez e não recebeu tratamento. O lactente foi encaminhado da maternidade onde nasceu, assintomático, com os seguintes exames realizados: sorologia para a toxoplasmose ELISA IgM negativa, IgG >600, ultrassonografia transfontanela, fundoscopia e hemograma sem alterações.
Em relação à conduta a ser tomada para o lactente, assinale a afirmativa correta.
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Comentário da questão:
Tema central: A questão aborda a conduta frente à suspeita de toxoplasmose congênita em lactente assintomático, após histórico materno sugestivo de infecção antiga e exames iniciais normais.
Análise clínica do caso:
- Mãe: Sorologia IgM e IgG positivas com alta avidez (infecção antiga).
- Lactente: IgM negativa, IgG elevada (>600), sem sintomas e exames complementares normais.
Interpretação crítica: A presença de IgM negativa e IgG elevada em RN assintomático geralmente reflete apenas anticorpos maternos transferidos. Só é possível afastar de forma segura a infecção congênita com o acompanhamento sorológico da IgG: espera-se sua queda progressiva até negativação em meses, caso não haja infecção ativa.
Justificativa para a alternativa correta (D):
Segundo o Fluxograma do Ministério da Saúde para toxoplasmose congênita: “Sempre que a investigação laboratorial não for conclusiva e o recém-nascido for assintomático, faz-se necessário o acompanhamento sorológico periódico para avaliar a redução dos títulos de IgG.”
Portanto, acompanhar a queda da IgG é o procedimento adequado nesta situação.
Análise das alternativas incorretas:
- A, B e C: Indicam tratamento específico para toxoplasmose, restrito a casos confirmados ou fortemente suspeitos de infecção congênita (IgM positivo, sintomas compatíveis ou exames alterados). Aqui, nenhum critério para início de tratamento está presente.
- E: Propõe alta imediata, o que não é recomendado sem a confirmação da queda/negativação da IgG, pois ainda não se pode excluir infecção congênita apenas pelo exame isolado.
Pegadinhas: Atenção ao momento do diagnóstico! A presença isolada de IgG alta no recém-nascido não confirma infecção congênita; o monitoramento é indispensável. Evite precipitar alta ou iniciar tratamento sem critérios estabelecidos.
Referências: Fluxograma do Ministério da Saúde (Toxoplasmose Congênita); consensos de infectologia pediátrica e literatura clássica, como Nelson Tratado de Pediatria.
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