Sobre os mitos da Língua Brasileira de Sinais (Libras), ana...
I. Todos os sinais apresentam uma relação de iconicidade. Por serem de modalidade visual-espacial, o que significa que a comunicação se realiza no espaço, sendo compreendida a partir da enunciação visual, alguns sinais se apresentam em forma icônica, isto é, em formas linguísticas que imitam o referencial real em suas características visuais, fazendo alusão à imagem do seu significado. Assim, mesmo os sinais criados a partir de uma motivação icônica apresentam baixo grau de arbitrariedade, uma vez que a escolha de qual aspecto físico representar e de como representá-lo é em poucos casos arbitrária.
II. Sobre o universalismo atribuído às línguas de sinais, parece constituir-se como reflexo da lógica etnocentrista, a partir da qual os surdos são vistos como deficientes; logo, a cultura surda ainda não é reconhecida como legítima, mas vista, no máximo, como uma "cultura patológica". Assim, como qualquer língua viva tem sua origem na cultura de seu povo, esta é perspectivada como universal, por entender-se que os surdos não têm cultura, pelo menos de valor. Isso explica a crença de que as línguas de sinais derivariam da comunicação gestual dos ouvintes, o que reafirma a resistência em aceitá-las como línguas.