Em sua primeira vez no Brasil, Rei de Angola fala sobre a
importância da reparação histórica para os povos negros
Tchongolola Tchongonga Ekuikui 6º participou de um debate
no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), na
Gamboa
Em sua primeira vez no Brasil, o Rei de Angola, Tchongolola
Tchongonga Ekuikui 6º, participou de um debate no Museu da
História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), na Gamboa, Zona
Portuária do Rio, sobre a importância da reparação histórica para
os povos negros do Brasil. O encontro aconteceu na manhã desta
terça-feira (7), a convite da Secretaria Municipal de Cultura via
DiversaCom em parceria com a UNIperiferias.
A conversa com o tema "Futuro ancestral - História, reparação e
avanço" foi mediada pela jornalista Louise Freire e pelo professor
doutor babalaô Ivanir dos Santos.
"Chegou o momento de nos unirmos e cumprir a vontade dos
nossos ancestrais", disse o rei, na língua umbundu, a segunda
mais falada em seu país, depois da portuguesa. Tchongolola
foi recebido no palco sem aplausos - uma questão protocolar -
saudado por Louise Freire, que abriu a bateria de perguntas a ele
sobre os efeitos da escravidão em seu povo.
"Aos 7 anos, já ouvia sobre os povos ancestrais. Éramos um
reinado organizado, com ministros, tudo estava bem. Quando
chegou a primeira fase da colonização, foi o momento mais difícil.
O colonizador não respeitou nossa tradição, cultura, o poder
tradicional. Isso fez com que muitos reis africanos fracassassem,
levando o colonizador a entrar em todo o continente africano",
comentou Ekuikui.
O Rei de Angola pontuou mais dois momentos cruciais que
marcaram a história de seu país: a guerra civil iniciada em 1975 (o
ano da "independência") e os tempos atuais com a globalização.
"Nossa foco agora é reencontrar e reestabelecer nossa identidade
cultural. A globalização destrói tudo aquilo que é nosso. Identidade
cultural, língua, monumentos etc". Em sua fala, Tchongolola
Tchongonga Ekuikui também desmistificou narrativas históricas e
falou em resgate.
"Se alguma vez disseram que os negros nascidos no Brasil eram
filhos de escravizados é mentira, são filhos de reis e rainhas
africanos. Eu vim cumprir uma profecia e reencontrar a vontade
dos nossos ancestrais, que sempre souberam que precisávamos
lutar com a sabedoria para alcançar a via mais segura para
chegar ao triunfo. Enquanto houver misticismo, essa amizade não
vai acontecer de fato. Precisamos de uma mudança muito rápida.
Somos mal interpretados, se eu deixar meu cajado aqui ele fica
por anos", destacou.
O texto está predominantemente registrado de acordo
com a norma-padrão da língua portuguesa, com vocabulário e
estruturas linguísticas monitorados. Logo, conclui-se que o texto
está produzido em conformidade com o registro:
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