Leia o caso clínico a seguir. F.A.S., do sexo feminino, de ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4153221 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

F.A.S., do sexo feminino, de 25 anos, previamente hígida, apresentou proteinúria de início recente, de até 7g na urina de 24 horas e hipertensão no momento do parto, compatível com pré-eclâmpsia. No pós-parto, a proteinúria persistiu e, seis meses após o parto, a excreção urinária de proteína ainda era de 2 g em 24 horas. Os níveis séricos de albumina e perfil lipídico estavam dentro da normalidade, sorologias negativas, índice de massa corporal normal, não fumante. Foi realizada biópsia renal.

Nesse caso, qual a lesão renal mais comumente associada a uma história de pré-eclâmpsia?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A lesão renal aguda típica da pré-eclâmpsia é a endoteliose glomerular, geralmente reversível após o parto; porém, neste caso, a proteinúria persiste por 6 meses, o que sugere glomerulopatia subjacente ou associada. Entre as alternativas, a glomeruloesclerose segmentar focal é a lesão mais reconhecidamente ligada a esse contexto por dano podocitário e proteinúria persistente.

Tema central: Proteinúria persistente pós-parto
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o quadro não é explicado apenas pela lesão transitória da pré-eclâmpsia. A manutenção de proteinúria significativa meses após o parto sugere nefropatia associada/subjacente, e, entre as opções oferecidas, a GESF é a que melhor se conecta ao eixo fisiopatológico de injúria podocitária relacionado à pré-eclâmpsia. Além disso, a proteinúria persistente sem síndrome nefrótica plena não contradiz GESF, que pode cursar com proteinúria variável e persistente.
B
Errada
Doença por lesão mínima é incorreta porque não é a associação mais comum com essa história clínica de pré-eclâmpsia com proteinúria persistente. Embora também seja podocitopatia, o vínculo clinicopatológico sustentado na base favorece GESF. Além disso, lesão mínima costuma se apresentar com síndrome nefrótica mais clássica, frequentemente com hipoalbuminemia importante, o que não aparece aqui.
C
Errada
Nefropatia membranosa é incorreta porque não é a lesão mais tipicamente associada a história de pré-eclâmpsia. O enunciado não traz dado etiológico, sorológico ou clínico que sustente membranosa, e o perfil descrito também não aponta para uma síndrome nefrótica exuberante típica dessa glomerulopatia.
D
Errada
Amiloidose é incorreta porque o contexto clínico e epidemiológico é francamente desfavorável: mulher jovem, previamente hígida, sem referência a doença inflamatória crônica, discrasia de plasmócitos ou acometimento sistêmico. Também não há relação típica entre pré-eclâmpsia e amiloidose.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a lesão histológica aguda típica da pré-eclâmpsia, que é a endoteliose glomerular e não está nas opções, e a glomerulopatia que passa a ser mais provável quando a proteinúria persiste por meses após o parto.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro separe a lesão típica da pré-eclâmpsia da nefropatia que deve ser suspeitada quando a proteinúria não regride no pós-parto.
  • Se a proteinúria persiste por meses após o parto, não atribua o quadro apenas à pré-eclâmpsia transitória; pense em glomerulopatia subjacente ou associada.
  • Entre alternativas histológicas, valorize a relação fisiopatológica com dano podocitário quando o contexto é pré-eclâmpsia com proteinúria persistente.
  • Proteinúria elevada isoladamente não define síndrome nefrótica completa; use albumina e perfil lipídico para não superestimar alternativas classicamente nefróticas.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo