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Q3836954 História
Entre 1831 e 1840, o Brasil viveu o Período Regencial, marcado pela ausência de um imperador maior de idade, pela intensificação dos conflitos políticos entre centralizadores e descentralizadores e pela eclosão de diversas revoltas regionais. A fragilidade do poder central, somada às disputas entre liberais moderados, exaltados e restauradores, colocou em xeque a unidade territorial e a estabilidade do Estado nacional recém-independente.
Suponha que, em 1838, um regente receba relatórios simultâneos sobre:
A eclosão de uma revolta armada de caráter popular e republicano no Nordeste;
A pressão das elites provinciais por maior autonomia administrativa;
O temor das elites agrárias de que a ampliação da participação política das camadas populares levasse à ruptura da ordem social escravista.
Considerando o contexto do Período Regencial e as medidas adotadas pelo governo central, qual seria a estratégia correta para preservar a unidade do Império e atender, ainda que parcialmente, aos diferentes interesses em jogo?
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era identificar a alternativa que compatibiliza autonomia provincial limitada com preservação do controle central e repressão aos movimentos considerados ameaças à ordem, o que corresponde à letra E.

Tema central: Período Regencial
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe suspensão da Constituição de 1824 e governo por decretos, isto é, uma ruptura constitucional incompatível com a conciliação parcial buscada na Regência.
B
Errada
Está errada porque substitui a monarquia por uma república federativa e amplia as demandas populares, o oposto da orientação do governo central e do temor das elites agrárias.
C
Errada
Está errada porque transforma a descentralização em autonomia política e militar ampla, com exércitos regionais e eleição direta de governadores, algo que o governo não admitia.
D
Errada
Está errada porque descreve centralização integral e repressão geral, sem atender parcialmente às pressões por autonomia provincial.
E
Certa
A alternativa E reproduz a lógica política predominante do governo regencial para preservar a unidade do Império: reformas descentralizadoras limitadas, como a ampliação dos poderes provinciais, sem romper a estrutura monárquica e unitária, mantendo instrumentos centrais de controle. Ao mesmo tempo, ela contempla a repressão seletiva a movimentos populares, republicanos ou vistos como ameaça à ordem social escravista, o que se ajusta à dinâmica regencial.
Pegadinha da questão
A confusão explorada é tomar descentralização limitada por federalismo pleno ou, no sentido oposto, achar que a repressão das revoltas excluía qualquer concessão política às províncias.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões sobre a Regência, procure a alternativa que combine concessão provincial parcial com preservação da monarquia e do controle central.
  • Descentralização regencial não significa federação nem autonomia militar das províncias.
  • Quando o enunciado mencionar revoltas populares ou republicanas e temor das elites escravistas, a tendência correta é repressão seletiva, não abertura popular ampla.

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Entre 1831 e 1840, o Império vivia uma situação delicada. De um lado, havia revoltas populares e regionais que colocavam em risco a unidade territorial. De outro, as elites provinciais pressionavam por mais autonomia administrativa. Ao mesmo tempo, os grandes proprietários rurais temiam que qualquer ampliação excessiva da participação política popular ameaçasse a ordem escravista que sustentava a economia.

Diante desse cenário, o governo não podia simplesmente centralizar tudo à força, nem ceder completamente às demandas descentralizadoras. A estratégia adotada foi intermediária: realizar reformas que ampliassem os poderes provinciais — como ocorreu com o Ato Adicional de 1834, que criou Assembleias Legislativas Provinciais —, mas sem abrir mão de mecanismos de controle central.

Ao mesmo tempo, os movimentos considerados mais radicais ou ameaçadores à ordem social foram reprimidos militarmente. Ou seja, houve concessões institucionais às elites locais, mas também firmeza contra revoltas populares que pudessem desestabilizar o Império.

Essa combinação de descentralização limitada com repressão seletiva foi o caminho encontrado para preservar a unidade territorial, proteger os interesses das elites agrárias e manter o Estado nacional recém-independente funcionando até a maioridade de Dom Pedro II.

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