Leia o fragmento: Certa vez minha mãe surrou-me com uma cor...
Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal - e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó.
RAMOS, Graciliano. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998.
No fragmento, o fator garante a sequência dos fatos e, portanto, contribui para a progressão temática é:
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Interpretação de texto – Progressão temática em narrativas.
O foco da questão é compreender como o uso dos tempos verbais estabelece a sequência dos acontecimentos e estrutura a narrativa, assegurando coesão e clareza para o leitor. Essa habilidade interpretativa é fundamental em provas para cargos de Fiscal, pois demonstra domínio sobre mecanismos de coesão e análise textual.
Justificativa da alternativa correta (A):
No trecho apresentado, a sequência dos fatos é garantida principalmente pela utilização de formas verbais que delimitam diferentes momentos (pretérito perfeito: “surrou-me”, “pintou”; pretérito imperfeito: “distinguia”, “condenou”; pretérito mais-que-perfeito: “houve”, “afligiu-se”). Como explanam Bechara e Cunha & Cintra, esse recurso é o eixo central das narrativas na norma-padrão, pois situa o leitor no tempo dos acontecimentos. A variação nos tempos verbais marca o avanço da história e a relação entre os eventos, formando a progressão temática.
Análise das alternativas incorretas:
B) Fala em “recorrência de expressões adverbiais”. No entanto, o fragmento não apresenta advérbios ou locuções adverbiais de tempo significativas (como “depois”, “então”, “logo”). Assim, esses elementos não organizam a progressão dos fatos neste caso.
C) Menciona “indeterminação dos sujeitos”. Porém, os sujeitos são definidos e identificáveis (minha mãe, eu, minha avó, minha família). Não há indeterminação na autoria das ações, o que elimina essa opção.
D) Fala em “alternância das pessoas do discurso”. O texto é narrado todo em primeira pessoa (eu). Não há mudança para segunda ou terceira pessoa; o foco não varia.
Estratégia para futuras questões: Ao resolver textos narrativos, procure identificar os tempos verbais, pois eles indicam a ligação e a ordem dos acontecimentos. Cuidado com pegadinhas envolvendo advérbios ou sujeitos indeterminados quando o fragmento não suporta tal análise.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo