Paciente em tratamento de tuberculose latente há 30 dias, co...
Gabarito comentado
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Tema central: Farmacologia dos antituberculosos em tuberculose latente (LTBI) e manejo de neuropatia periférica induzida por fármacos.
Alternativa correta: C — Isoniazida e piridoxina.
A isoniazida (INH) é o fármaco mais usado em LTBI e pode causar parestesias em “luva e bota” por deficiência funcional de vitamina B6 (piridoxina), devido à inibição da piridoxina-fosfato quinase e aumento da excreção de B6. O quadro típico aparece após semanas de uso, como no enunciado. A conduta é suplementar piridoxina: 25–50 mg/dia profilaticamente em grupos de risco e 50–100 mg/dia quando há sintomas, mantendo a INH se a neuropatia for leve e monitorando hepatotoxicidade.
Referências: Ministério da Saúde (Brasil) – Diretrizes de TB/LTBI; OMS/WHO 2020 LTBI guidelines; UpToDate; Harrison’s.
Raciocínio clínico
- Palavras-chave: LTBI, 30 dias de tratamento, formigamentos distais → pensar em INH e corrigir com piridoxina.
- Regimes LTBI aceitos: INH 6–9 meses; rifampicina 4 meses; INH + rifapentina semanal por 3 meses (3HP). Em qualquer regime com INH, piridoxina é indicada em risco/sintomas.
Análise das alternativas incorretas
A) Rifapentina e colecalciferol — Rifapentina (rifamicina) não costuma causar neuropatia; efeitos: coloração alaranjada de secreções e interações enzimáticas. Colecalciferol (vitamina D) não trata neuropatia por fármaco. Inconsistente com o quadro.
B) Isoniazida e rifapentina — A segunda “prescrição” deveria ser o tratamento do efeito adverso, não outro antibacilar. Rifapentina não reverte neuropatia e não é indicada como “antídoto”.
D) Pirazinamida e tocoferol — Pirazinamida não é usada em LTBI (risco maior de hepatotoxicidade); seus efeitos típicos são hiperuricemia e artralgias, não neuropatia. Tocoferol (vitamina E) não é tratamento específico.
E) Pirazinamida e piridoxina — Embora a piridoxina seja o tratamento da neuropatia por INH, a associação com pirazinamida está errada porque PZA não é fármaco de LTBI e não é causa clássica de neuropatia.
Pegadinhas e dicas
- Não confunda com etambutol, cujo efeito adverso típico é neurite óptica (discromatopsia vermelho-verde), não parestesias.
- Em 3HP (isoniazida + rifapentina), a neuropatia é atribuída à INH; ainda assim usa-se piridoxina.
Conduta prática
- Manter INH se sintomas leves e iniciar piridoxina 50–100 mg/dia até regressão; avaliar fatores de risco (diabetes, alcoolismo, desnutrição, gestação, HIV, IRC). Suspender/ajustar se houver hepatotoxicidade importante.
Gabarito: C — Isoniazida e piridoxina.
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Comentários
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A alternativa correta é a letra C: Isoniazida e piridoxina. ✅
- O paciente está tratando tuberculose latente.
- O fármaco mais usado nesse contexto é a isoniazida (INH), geralmente em monoterapia por 6 a 9 meses.
- Um efeito colateral comum da isoniazida é a neuropatia periférica (descrita como “formigamentos” em mãos e pés).
Por que ocorre a neuropatia?
- A isoniazida interfere no metabolismo da vitamina B6 (piridoxina), levando à sua deficiência.
- A deficiência de piridoxina prejudica a função dos nervos periféricos.
- A prevenção/tratamento da neuropatia induzida por isoniazida é feita com piridoxina (vitamina B6), geralmente na dose de 25–50 mg/dia durante o tratamento.
Por que as outras estão erradas?
- A. Rifapentina não causa esse efeito, e colecalciferol (vitamina D) não trata neuropatia.
- B. Isoniazida + rifapentina é um esquema possível (esquema 3HP), mas piridoxina, e não rifapentina, trata o sintoma.
- D. Pirazinamida está indicada para tuberculose ativa, e tocoferol (vitamina E) não tem relação com essa neuropatia.
- E. Pirazinamida não é usada na TB latente.
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