Está correto o emprego da expressão sublinhada na frase:

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Q39277 Português
A idéia de que o povo é bom e que deve, por conseguinte, ser o titular da soberania política, provém, sem dúvida, de Rousseau. Mas o pensamento do grande filósofo sobre esse ponto era muito mais complexo e profundo do que podem supor alguns de seus ingênuos seguidores.
Do fato de que o homem é sempre bom, e que a sociedade o corrompe, não se seguia logicamente, no pensamento de Rousseau, a conclusão de que as deliberações do povo fossem sempre boas. "Cada um procura o seu bem, mas nem sempre o enxerga. O povo nunca é corrompido, mas é freqüentemente enganado, e é então que ele parece querer o mal" - advertia o filósofo.
É aí que se insere a sua famosa distinção entre vontade geral e vontade de todos. Aquela "só diz respeito ao interesse comum; a outra, ao interesse privado, sendo apenas a soma de vontades particulares". Para Rousseau, nada garantiria que a vontade geral predominasse sempre sobre as vontades particulares. Ao contrário, ele tinha mesmo da vida em sociedade uma visão essencialmente pessimista. Sustentava que os povos são virtuosos apenas na sua infância e juventude. Depois, corrompem-se irremediavelmente.
Não há, pois, maior contra-senso interpretativo do que afirmar que o princípio da soberania absoluta do povo tem origem em Rousseau. Na verdade, ele, que sempre foi um moralista, preocupado antes de tudo com a reforma dos costumes, descria completamente de qualquer remédio jurídico para os males da humanidade.



(Fábio Konder Comparato)
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Alternativas

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Tema Gramatical: A questão aborda o uso correto de expressões com pronomes relativos e conjunções subordinadas, verificando a regência adequada na Língua Portuguesa.

Análise da Alternativa Correta (E):

Na frase: "Está na admissão de que o povo pode ser enganado, mas não corrompido, uma das contribuições do pensamento de Rousseau.", o uso da expressão "de que" está correto. A expressão "de que" é uma conjunção subordinada integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva.

Essa construção está adequada gramaticalmente, pois "admissão" exige complemento introduzido por "de". A frase faz sentido e obedece à regência verbal e nominal da Língua Portuguesa. Portanto, essa é a alternativa correta.

Análise das Alternativas Incorretas:

A - "Seus seguidores não supõem de que o pensamento dele seja tão complexo."

A expressão "de que" está incorretamente utilizada aqui. O verbo "supor" não exige a preposição "de". A forma correta é "não supõem que", sem a preposição.

B - "Não pode ser absoluta a soberania política de cuja o povo deve ser o titular."

O pronome relativo "cuja" é utilizado para indicar posse e deve ser seguido de um substantivo. Aqui, "cuja" não faz sentido, pois "o povo" não é um substantivo que tenha relação possessiva com "soberania política". A construção correta não utilizaria "cuja".

C - "Era grande a preocupação em cuja Rousseau manifestava em relação à reforma dos costumes."

Similar ao erro na alternativa B, "em cuja" está incorreto porque o pronome "cuja" necessita de substantivo posterior que expresse posse, o que não é o caso na frase. O correto seria apenas "em que Rousseau manifestava".

D - "Rousseau não achava de que os males da humanidade poderiam ser sanados por medidas jurídicas."

A expressão "de que" é inadequada após o verbo "achar", que não exige preposição. O correto seria "Rousseau não achava que".

Estratégia para Resolução:

Ao resolver questões de regência verbal e nominal, sempre atente à relação entre os verbos e seus complementos. Verifique se há necessidade de preposição e se o pronome relativo está corretamente empregado, respeitando as regras de posse e clareza.

Concluindo: A atenção a detalhes como regência e o uso de pronomes relativos é crucial para evitar erros comuns nessas questões. Com prática, esses conceitos se tornam mais intuitivos!

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Comentários

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 olá, alguém poderia me ajudar nessa questão? porque o uso "de" que?

obrigada

Entendo que o uso do "de" se deve ao fato de ser uma oração subordinada substantiva completiva nominal, fucinando como complmento nominal de adminissão

Não entendi a questão, alguém que ajude? 
É, sem dúvida, uma das piores. Eu  resolvi assim:

Está na admissão de que o povo pode ser enganado, mas não corrompido, uma das contribuições do pensamento de Rousseau.


REESCREVENDO:

Uma das contribuições do pensamento de Rousseau está na ADMISSÃO ( pede um complemento nominal) DE que o povo pode ser enganado (ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA COMPLETIVA NOMINAL), mas não corrompido.

 

colocando a frase na estrutura correta: 

Uma das contribuições do pensamento de Rousseau está na admissão de que o povo pode ser enganado, mas não corrompido. 

quem admite, admite algo de alguém.



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