No diabetes mellitus tipo II, a hiperglicemia costuma ocorre...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: No diabetes mellitus tipo 2 (DM2), a hiperglicemia decorre principalmente de resistência periférica à insulina, especialmente em músculo e tecido adiposo, com aumento secundário da produção hepática de glicose e falha progressiva das células β em compensar.
Alternativa correta (B) — Resistência periférica à insulina: Na fase inicial do DM2, a insulina é produzida (muitas vezes até em níveis elevados), porém os tecidos-alvo respondem menos. Isso reduz a captação de glicose pelo músculo e aumenta a lipólise no tecido adiposo, elevando ácidos graxos livres e a produção hepática de glicose. Com o tempo, há cansaso β-pancreático (disfunção progressiva), agravando a hiperglicemia. Evidências ligam resistência insulínica à obesidade visceral, inflamação crônica de baixo grau e lipotoxicidade. Diretrizes e textos clássicos (ADA Standards of Care 2024; UpToDate; Harrison’s) descrevem esse mecanismo como o pilar fisiopatológico do DM2.
Estratégia de prova: Ao ver “mais comumente” em DM2, associe a resistência à insulina. “Deficiência completa” de insulina aponta para DM1. Alterações do glucagon são coadjuvantes.
Análise das alternativas incorretas:
A) “Maior ingestão de açúcares” não é o mecanismo primário. Dieta hipercalórica contribui para ganho de peso e resistência insulínica, mas a fisiopatologia central não é simplesmente “comer açúcar”. O DM2 é um distúrbio metabólico-hormonal, não apenas dietético.
C) “Deficiência completa de insulina” caracteriza o DM1 (destruição autoimune das células β). No DM2, a deficiência é relativa e costuma surgir depois, por falência progressiva β, não é o evento inicial nem o mais comum.
D) “Excesso de glucagon” ocorre de forma inadequada no DM2 (disfunção de células α e efeito incretínico reduzido), elevando a gliconeogênese hepática. Contudo, é mecanismo contributivo, não o principal nem o “mais comum” — este é a resistência à insulina.
E) “Resistência à ação do glucagon” contraria a fisiopatologia. No DM2 há, em geral, hiper-resposta hepática ao glucagon; se houvesse resistência ao glucagon, esperaríamos menor produção hepática de glicose, o oposto do observado.
Diagnóstico (resumo útil): Glicemia em jejum ≥126 mg/dL, HbA1c ≥6,5%, TOTG 2h ≥200 mg/dL, ou glicemia casual ≥200 mg/dL com sintomas (ADA 2024). Sinais de resistência insulínica: acantose nigricans, circunferência abdominal aumentada, dislipidemia aterogênica; HOMA-IR pode sugerir.
Implicação terapêutica: Como a base é resistência insulínica, o pilar inicial é mudança de estilo de vida (perda de 5–10% do peso, exercício) e metformina (reduz produção hepática de glicose e melhora sensibilidade). Outras classes (GLP-1 RA, SGLT2) são escolhidas conforme comorbidades.
Referências: ADA Standards of Care in Diabetes—2024; UpToDate, “Pathogenesis of type 2 diabetes”; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.
Gabarito: B — Resistência periférica à insulina.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo