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Q4239591 Medicina
Em plantão no núcleo de transplantes, você recebe uma ligação com uma oferta de doador adequado para captação de pulmões. Trata-se de um homem, tipo sanguíneo A+, de 27 anos, vítima de TCE há 3 dias, 1,70 m 85 kg, capacidade pulmonar total predita (CPTp) de 6,38 L e radiografia de tórax sem anormalidades. CPTa: capacidade pulmonar total aferida. 
Após a decisão pelo receptor mais compatível, foi solicitado o crossmatch virtual, com o seguinte resultado: locus B51 MFI = 3.456. Qual a melhor conduta frente ao resultado?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O achado decisivo é a presença de anticorpo anti-HLA doador-específico no crossmatch virtual (locus B51, MFI 3.456), o que indica risco de incompatibilidade humoral e orienta a necessidade de dessensibilização se o transplante for mantido.

Tema central: Crossmatch virtual positivo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transfusão maciça não é método de dessensibilização para anticorpos anti-HLA. O problema identificado é a presença de DSA circulante; a conduta pertinente seria removê-lo ou reduzi-lo. Transfusão não faz plasma exchange e não corrige a incompatibilidade humoral, podendo ainda ampliar exposição antigênica. A pegadinha é confundir transfusão com plasmaférese, que são procedimentos distintos.
B
Errada
Está errada por dois motivos médicos. Primeiro, rejeição hiperaguda é classicamente humoral/mediada por anticorpos, não celular; portanto a alternativa descreve o mecanismo de forma incorreta. Segundo, ECMO é suporte ventilatório/circulatório e não tratamento imunológico, não remove anticorpos e não previne AMR. Usá-la como resposta ao crossmatch virtual positivo erra tanto a fisiopatologia quanto a conduta.
C
Certa
A alternativa C é a única que trata o problema pelo mecanismo correto. O crossmatch virtual positivo para DSA anti-HLA sinaliza incompatibilidade humoral e aumento do risco de AMR/hiperaguda por anticorpos pré-formados. Nesse cenário, a intervenção classicamente empregada para reduzir esses anticorpos é a plasmaférese/plasma exchange. A base também ressalta que o MFI isolado não tem ponto de corte universal, portanto o valor de 3.456 não funciona como contraindicação absoluta, mas sustenta risco suficiente para modificar a conduta perioperatória.
D
Errada
Está errada porque a presença de DSA no crossmatch virtual não pode ser ignorada. A base afirma que o virtual crossmatch é ferramenta rotineira de estratificação de risco e que o MFI isolado não tem corte universal, mas isso não autoriza prosseguir sem conduta adicional. O resultado já identifica risco humoral clinicamente relevante e, se o transplante for aceito, esse risco deve ser manejado com estratégia compatível, e não apenas aguardado.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre incompatibilidade humoral por anticorpos anti-HLA e rejeição celular, além da troca indevida entre plasmaférese, transfusão maciça e ECMO.
Dica para questões semelhantes
  • Se o crossmatch virtual mostra DSA anti-HLA, pense primeiro em risco de rejeição mediada por anticorpos, não de rejeição celular.
  • Quando a questão pergunta a conduta para seguir com o transplante apesar do DSA, procure medida que reduza anticorpos circulantes, como plasmaférese/plasma exchange.
  • Não trate MFI isolado como corte absoluto: ele estratifica risco, mas não tem padronização universal entre laboratórios.
  • ECMO é suporte e transfusão não é dessensibilização; nenhuma das duas substitui manejo imunológico do DSA.

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