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Q3292319 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A distância


Li que implantaram um troço no cérebro de um macaco e ele conseguiu mexer outro troço com o pensamento. Um eletrodo acionado por neurônios, ou coisa parecida, permitiu ao macaco deslocar um objeto a alguns metros de distância só com a sua vontade. De certa maneira, isso é o fim de um ciclo que começou na primeira vez em que um hominídeo pensou na possibilidade de afetar algo distante dele sem sair do lugar. Pode-se resumir o desenvolvimento da humanidade e da sua ciência no cumprimento dessa vontade de não precisar ir lá. A penúltima fase do processo foi o controle remoto. A última, lógica, fase será a da telepatia. Hoje o macaco, amanhã nós todos.


Sempre defendi a tese de que foi a preguiça que trouxe a civilização. O que foi a invenção da roda senão o prenúncio da charrete e um triunfo do comodismo? Fomos a primeira espécie a criar um jeito de não ir, mas ser levada. A razão do hominídeo para deflagrar o processo que resultou no controle remoto foi prática, a de atingir uma presa sem se arriscar a ser mordido, ou almoçar sem ser almoçado. O primeiro lance do longo processo terminou com o implante no cérebro foi a pedra arremessada. Depois vieram a lança, o estilingue, o arco e a flecha, a catapulta, as armas de fogo, o foguete intercontinental, o drone - todos os engenhos para evitar chegar perto.


[*] distância sempre foi um inimigo natural do Homem, ou pelo menos do Homem Preguiçoso. Vencê-la foi o nosso grande desafio intelectual, e agora se abre a possibilidade de subjugá-la só com o intelecto, desprezando os instrumentos que, da pedra [*] internet, nos ajudaram até aqui. Estamos simbolicamente de volta [*] savana primeva, pensando em como empurrar aquele mamute para dentro do fosso sem precisar ir lá, mas agora o pensamento basta. A vontade se realizará sozinha, sem as mãos, sem mais nada. A preguiça cumpriu sua missão histórica.


Agora, só precisamos encontrar um jeito de pedir ao macaco que mexa alguma coisa por nós.


Releia o trecho do texto:

"Pode-se resumir o desenvolvimento da humanidade e da sua ciência no cumprimento dessa vontade de não precisar ir lá."

No trecho, a palavra destacada "se" atua como:
Alternativas

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Questão analisada: Função morfossintática do “se” – Partícula Apassivadora

A questão aborda a função morfossintática da partícula “se” em um trecho extraído do texto, tema fundamental para concursos na área jurídica. Compreender esse assunto é essencial para interpretar corretamente construções sintáticas e evitar erros de compreensão textual.

No trecho “Pode-se resumir o desenvolvimento da humanidade e da sua ciência no cumprimento dessa vontade de não precisar ir lá.”, a palavra “se” acompanha o verbo transitivo direto “resumir”. Nessa construção, ocorre a chamada voz passiva sintética. Segundo a norma-padrão, como explicitam Cunha & Cintra e Bechara, a partícula apassivadora “se” indica que o sujeito paciente (o desenvolvimento da humanidade e da sua ciência) recebe a ação verbal.

Repare que poderíamos transformar a frase para a voz passiva analítica: “O desenvolvimento da humanidade e da sua ciência pode ser resumido...”. Isso confirma a função apassivadora do “se”.

Alternativa correta: C) partícula apassivadora.

Análise das alternativas incorretas:

A) Conjunção integrante: O “se” não introduz oração subordinada completiva, como em “Não sei se virá.” Portanto, está incorreta.

B) Índice de indeterminação do sujeito: Este ocorre com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação (“Precisa-se de funcionários”). Como “resumir” é transitivo direto, não cabe essa classificação.

D) Pronome reflexivo: Não há sentido reflexivo (ação simultânea do sujeito sobre si). Exemplo de reflexivo: “Ele se feriu.”

Dica de prova: Sempre verifique se o verbo admite voz passiva e qual a transitividade; em caso afirmativo, e havendo “se” + verbo transitivo direto, pense em partícula apassivadora.

Base teórica: Bechara, Cunha & Cintra e o “Manual de Redação da Presidência da República” confirmam essas classificações.

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Comentários

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A estrutura da frase é:

A forma verbal "pode-se resumir" está na voz passiva sintética.

✔️ Aqui, o “se” funciona como partícula apassivadora, porque:

  • O verbo está na forma ativa com sentido passivo;
  • O sujeito (“o desenvolvimento da humanidade...”) sofre a ação de ser resumido;
  • A frase equivale a:

ChatGPT

VTD: partícula apassivadora

Fiquei na dúvida acerca da transitividade do verbo poder.

Tente colocar a frase na voz passiva analítica: Se fosse uma partícula apassivadora, poderíamos transformar a frase para "O desenvolvimento da humanidade e da sua ciência pode ser resumido...". Como isso é possível e o verbo "resumir" é transitivo direto (resumir algo), o "se" está atuando como partícula apassivadora. O sujeito da oração é "o desenvolvimento da humanidade e da sua ciência".

Verifique se há um agente da ação: Se o sujeito da ação não é expresso e o verbo está na 3ª pessoa do singular, poderia ser um índice de indeterminação do sujeito. No entanto, como vimos no item 1, a frase permite a voz passiva analítica, indicando que há um sujeito paciente explícito ("o desenvolvimento...").

A palavra destacada "se" atua como partícula apassivadora.

Como identificar:

Para identificar a função do "se" em casos como esse, observe se a oração pode ser reescrita na voz passiva analítica (verbo ser + particípio). Se o verbo for transitivo direto e o "se" estiver acompanhando-o, permitindo essa transformação, ele é uma partícula apassivadora.

Gabarito: C)

"Pode-se resumir o desenvolvimento da humanidade"

o desenvolvimento da humanidade pode ser resumido....

Logo, partícula apassivadora, pois o objeto direto vira sujeito, logo há sujeito, por isso não da B.

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