A garantia da potabilidade da água para consumo humano exige...
I. A turbidez elevada na água bruta pode comprometer a eficácia dos processos de desinfecção, pois as partículas em suspensão podem abrigar microrganismos, protegendo-os da ação do desinfetante.
II. A presença de coliformes totais na água tratada e distribuída é um indicador direto e inequívoco da contaminação fecal recente e da presença de patógenos entéricos.
III. Parâmetros como pH e alcalinidade são importantes para o controle da corrosividade da água e para a otimização dos processos de tratamento, mas não possuem relação direta com a saúde humana.
IV. O cloro residual livre é um parâmetro essencial para garantir a desinfecção contínua da água na rede de distribuição e serve como barreira contra possíveis recontaminações.
Quais estão corretas?
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Tema central: Parâmetros e Indicadores de Qualidade da Água (Portaria GM/MS nº 888/2021). Questão típica de concursos para Engenheiro Sanitarista, exige conhecimento sobre os parâmetros que garantem a potabilidade e segurança da água fornecida à população.
Análise das Assertivas:
I. CORRETA. Turbidez elevada compromete a desinfecção, pois partículas em suspensão podem recobrir microrganismos, dificultando a ação do desinfetante (ex: cloro). Por isso, a Portaria GM/MS nº 888/2021 fixa limite de até 5,0 UNT para garantir eficácia do tratamento, alinhado com o conceito de barreira múltipla na proteção da água potável (Bicudo et al., 2003).
II. INCORRETA. Coliformes totais não são indicadores específicos de contaminação fecal recente, porque também vivem em solos e vegetação. Só E. coli (coliforme termotolerante) é referência para poluição fecal recente segundo a Portaria. O erro aqui é a generalização indevida (“inequívoco” e “direto”) – atenção com termos absolutos em questões!
III. INCORRETA. Embora pH e alcalinidade controlem corrosividade e auxiliem no tratamento, valores atípicos podem causar desconforto, irritações e até aumentar a dissolução de metais tóxicos (ex: chumbo). Portanto, esses parâmetros TÊM relação direta com riscos à saúde, como mostram normas técnicas e Cavalcanti (2015).
IV. CORRETA. Cloro residual livre é essencial como barreira sanitária para proteger a água ao longo da distribuição (mínimo de 0,2 mg/L, Portaria). Ele combate possíveis recontaminações, sendo indispensável para segurança contínua do abastecimento.
Alternativas incorretas: Todas as alternativas que incluem II ou III estão erradas, pois ignoram conceitos importantes sobre indicadores e parâmetros de saúde pública.
Estratégia de prova: Atenção a afirmações absolutas (“direto”, “inequívoco”, “não possuem relação”), erros comuns em concursos; revise definições técnicas e lembre-se de relacionar parâmetros como pH tanto à qualidade operacional quanto ao impacto na saúde humana.
Gabarito correto: B) Apenas I e IV.
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Comentários
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As assertivas corretas são a I e a IV.
Aqui está a análise detalhada de cada item à luz da Portaria GM/MS nº 888/2021 e dos princípios de tratamento de água:
Assertivas Corretas
I. Correta.
A turbidez é um parâmetro chave não apenas estético, mas sanitário. Partículas em suspensão (argila, silte, matéria orgânica) funcionam como um "escudo" físico para microrganismos (bactérias, vírus e protozoários), impedindo que o cloro ou a radiação UV entrem em contato direto com eles. Por isso, a Portaria exige baixa turbidez (ex: < 0,5 uT na saída da filtração rápida) antes da desinfecção para garantir que ela seja eficiente.
IV. Correta.
A manutenção de um "residual" de desinfetante (como o cloro residual livre) é obrigatória na rede de distribuição. A função desse residual não é tratar a água novamente, mas garantir que, caso haja uma pequena infiltração ou contaminação na tubulação (recontaminação), o desinfetante elimine os microrganismos imediatamente. A legislação exige, geralmente, um mínimo de 0,2 mg/L de cloro residual livre em toda a extensão da rede.
Assertivas Incorretas
II. Incorreta.
Esta é uma "pegadinha" clássica.
Coliformes Totais: São bactérias que podem vir de fezes, mas também ocorrem naturalmente no solo e na vegetação. Sua presença indica falha no tratamento ou problemas de limpeza na rede/reservatórios, mas não confirma inequivocamente contaminação fecal.
E. coli (Escherichia coli): Este sim é o indicador de contaminação fecal recente e direta. A presença de coliformes totais acende um alerta, mas a presença de E. coli confirma o risco sanitário imediato.
III. Incorreta.
Embora pH e alcalinidade sejam cruciais para a operação (coagulação) e proteção da tubulação (corrosão), afirmar que eles "não possuem relação direta com a saúde humana" é errado por dois motivos principais:
Eficiência da Desinfecção: O pH influencia diretamente a forma química do cloro na água (ácido hipocloroso vs. íon hipoclorito). Se o pH estiver muito alto, a desinfecção torna-se ineficaz, colocando a saúde em risco.
Liberação de Metais: Águas corrosivas (pH/alcalinidade desequilibrados) podem dissolver metais das tubulações, como chumbo e cobre, que são tóxicos para o consumo humano.
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