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Q3702329 Engenharia Ambiental e Sanitária
A garantia da potabilidade da água para consumo humano exige uma compreensão aprofundada da interação entre suas características físicas, químicas e biológicas, bem como a aplicação de estratégias de monitoramento baseadas em indicadores. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece os padrões e procedimentos para o controle da qualidade da água no Brasil, visando proteger a saúde pública. Sobre a qualidade da água e seus indicadores, analise as assertivas a seguir:

I. A turbidez elevada na água bruta pode comprometer a eficácia dos processos de desinfecção, pois as partículas em suspensão podem abrigar microrganismos, protegendo-os da ação do desinfetante.
II. A presença de coliformes totais na água tratada e distribuída é um indicador direto e inequívoco da contaminação fecal recente e da presença de patógenos entéricos.
III. Parâmetros como pH e alcalinidade são importantes para o controle da corrosividade da água e para a otimização dos processos de tratamento, mas não possuem relação direta com a saúde humana.
IV. O cloro residual livre é um parâmetro essencial para garantir a desinfecção contínua da água na rede de distribuição e serve como barreira contra possíveis recontaminações.

Quais estão corretas? 
Alternativas

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Tema central: Parâmetros e Indicadores de Qualidade da Água (Portaria GM/MS nº 888/2021). Questão típica de concursos para Engenheiro Sanitarista, exige conhecimento sobre os parâmetros que garantem a potabilidade e segurança da água fornecida à população.

Análise das Assertivas:

I. CORRETA. Turbidez elevada compromete a desinfecção, pois partículas em suspensão podem recobrir microrganismos, dificultando a ação do desinfetante (ex: cloro). Por isso, a Portaria GM/MS nº 888/2021 fixa limite de até 5,0 UNT para garantir eficácia do tratamento, alinhado com o conceito de barreira múltipla na proteção da água potável (Bicudo et al., 2003).

II. INCORRETA. Coliformes totais não são indicadores específicos de contaminação fecal recente, porque também vivem em solos e vegetação. Só E. coli (coliforme termotolerante) é referência para poluição fecal recente segundo a Portaria. O erro aqui é a generalização indevida (“inequívoco” e “direto”) – atenção com termos absolutos em questões!

III. INCORRETA. Embora pH e alcalinidade controlem corrosividade e auxiliem no tratamento, valores atípicos podem causar desconforto, irritações e até aumentar a dissolução de metais tóxicos (ex: chumbo). Portanto, esses parâmetros TÊM relação direta com riscos à saúde, como mostram normas técnicas e Cavalcanti (2015).

IV. CORRETA. Cloro residual livre é essencial como barreira sanitária para proteger a água ao longo da distribuição (mínimo de 0,2 mg/L, Portaria). Ele combate possíveis recontaminações, sendo indispensável para segurança contínua do abastecimento.

Alternativas incorretas: Todas as alternativas que incluem II ou III estão erradas, pois ignoram conceitos importantes sobre indicadores e parâmetros de saúde pública.

Estratégia de prova: Atenção a afirmações absolutas (“direto”, “inequívoco”, “não possuem relação”), erros comuns em concursos; revise definições técnicas e lembre-se de relacionar parâmetros como pH tanto à qualidade operacional quanto ao impacto na saúde humana.

Gabarito correto: B) Apenas I e IV.

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Comentários

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As assertivas corretas são a I e a IV.

Aqui está a análise detalhada de cada item à luz da Portaria GM/MS nº 888/2021 e dos princípios de tratamento de água:

Assertivas Corretas

I. Correta.

A turbidez é um parâmetro chave não apenas estético, mas sanitário. Partículas em suspensão (argila, silte, matéria orgânica) funcionam como um "escudo" físico para microrganismos (bactérias, vírus e protozoários), impedindo que o cloro ou a radiação UV entrem em contato direto com eles. Por isso, a Portaria exige baixa turbidez (ex: < 0,5 uT na saída da filtração rápida) antes da desinfecção para garantir que ela seja eficiente.

IV. Correta.

A manutenção de um "residual" de desinfetante (como o cloro residual livre) é obrigatória na rede de distribuição. A função desse residual não é tratar a água novamente, mas garantir que, caso haja uma pequena infiltração ou contaminação na tubulação (recontaminação), o desinfetante elimine os microrganismos imediatamente. A legislação exige, geralmente, um mínimo de 0,2 mg/L de cloro residual livre em toda a extensão da rede.

Assertivas Incorretas

II. Incorreta.

Esta é uma "pegadinha" clássica.

Coliformes Totais: São bactérias que podem vir de fezes, mas também ocorrem naturalmente no solo e na vegetação. Sua presença indica falha no tratamento ou problemas de limpeza na rede/reservatórios, mas não confirma inequivocamente contaminação fecal.

E. coli (Escherichia coli): Este sim é o indicador de contaminação fecal recente e direta. A presença de coliformes totais acende um alerta, mas a presença de E. coli confirma o risco sanitário imediato.

III. Incorreta.

Embora pH e alcalinidade sejam cruciais para a operação (coagulação) e proteção da tubulação (corrosão), afirmar que eles "não possuem relação direta com a saúde humana" é errado por dois motivos principais:

Eficiência da Desinfecção: O pH influencia diretamente a forma química do cloro na água (ácido hipocloroso vs. íon hipoclorito). Se o pH estiver muito alto, a desinfecção torna-se ineficaz, colocando a saúde em risco.

Liberação de Metais: Águas corrosivas (pH/alcalinidade desequilibrados) podem dissolver metais das tubulações, como chumbo e cobre, que são tóxicos para o consumo humano.

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