Na frase “Apenas imaginei – a sobre o asfalto da 23 de maio....
TRIGÉSIMO ANDAR – Wilson Rio Apa
Aqui de cima – trigésimo andar do Hilton Hotel, onde me encarceraram – contemplo São Paulo, vejo os paulistanos lá embaixo, pequenas formas apressadas, prensadas entre muralhas de cimento e máquinas.
A movimentação é desordenada.
Fico angustiado com a impressão de que há luta nas ruas lá embaixo. Homens e máquinas parece que se perseguem, caçam. Por quê? Talvez tenham falhado em se harmonizar no único: construir uma cidade boa para todos. E, frustrados, odeiam-se.
Parece que é isso. Parece que esse é o destino último dos homens e das suas grandes obras, utopias que perderam as medidas humanas.
Aqui em cima há silêncio: silêncio feito de artifícios e supérfluos.
Sou um homem de praias, ilhas desertas, rios e matos, marginal. Embora nascido ali na vila Mariana, nunca pude aceitar a vida de uma metrópole. Parti em busca de silêncio para pensar e escrever. Ancorei num remanso com a família, na periferia de uma cidade colonial. Antonina, Paraná. Lá os ventos são limpos, há perfume de florestas próximas, sol, boas chuvas, espaço.
Nunca me senti tão estrangeiro como neste hotel.
Vinha esta manhã seguindo as curvas do Tietê, rio da minha infância, onde muitas gerações de paulistanos no sábado à tarde e domingo pela manhã remavam barquinhos dos clubes, faziam piqueniques, namoravam, brincavam com os filhos. O rio de memórias e bandeiras está morto pelo que chamam de progresso.
Ao chegar, passei pelo bairro da minha infância e parei diante da casa onde nasci. Não há espaços vazios em torno dela: só paredões não há mais árvores, chácaras, campo de futebol, mato, onde abríamos trilhas, cavávamos esconderijos e guerreávamos. Desci a rua, na esperança de ainda encontrar a fonte jorrando entre argila leitosa. Não vi nenhum grupo de meninos brincando. Não vi mais a fonte. Apenas imaginei-a sobre o asfalto da 23 de maio, e o campo de futebol sobre o viaduto da Avenida Cubatão. Ali, bem ali, esperávamos a queda dos balões, empinávamos papagaios.
Onde brinca a infância de hoje nesta cidade?
A ilusão acabou-se, a ilusão dos mitos da vida científica, do paraíso das máquinas proporcionando lazer, da economia e da medicina resolvendo todos os problemas. Acabou-se. Quem não conhece os males da poluição, da falta de espaço e de árvores, do excesso de tráfego?
WILSON RIO APA
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Gabarito comentado
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Gabarito: A
Fundamento decisivo: Em "Não vi mais a fonte. Apenas imaginei-a sobre o asfalto da 23 de maio.", o pronome "a" retoma "a fonte" e funciona como complemento verbal de "imaginei" sem preposição. Como "imaginar", nesse uso, é transitivo direto, o pronome exerce a função de objeto direto, o que confirma o gabarito A.
- Recupere primeiro o termo retomado pelo pronome; aqui, "a" retoma "a fonte".
- Verifique se o verbo exige ou não preposição: sem preposição, o complemento tende a ser objeto direto.
- Não confunda função sintática com classe da palavra: o item pede a função do pronome na oração.
- Antes de marcar objeto indireto, confirme se há regência preposicionada de fato.
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Comentários
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Se não tem preposição e completa o verbo → objeto direto
A resposta correta é a A) Objeto Direto.
O macete para ganhar tempo com pronomes oblíquos átonos (o, a, lhe, os, as, lhes) é decorar a "função padrão" deles, que raramente muda:
1. O "Mantra" dos Pronomes (Vapt-Vupt)
- Funcionam sempre como Objeto Direto.
- Funcionam quase sempre como Objeto Indireto (quando ligados a verbos).
2. Aplicação Direta na Questão
Ao ler "imaginei-a", você identifica o pronome "a".
- Pelo mantra acima, você já marca Objeto Direto e nem precisa analisar o verbo.
- Para confirmar (se tiver 5 segundos): Quem imagina, imagina alguém ou algo. O verbo é Transitivo Direto (VTD).
- "Imaginei a Maria"
- "Imaginei-a".
Resumo para não esquecer:
- Viu o/a? É Direto.
- Viu lhe? É Indireto.
Atenção: Os pronomes podem ser os dois, mas os examinadores adoram cobrar o "o/a" e o "lhe" justamente porque eles têm funções fixas que testam se o aluno decorou a regra básica.
Quem imagina, imagina alguém ou algo. O verbo é Transitivo Direto
Resumo para não esquecer:
- Viu o/a? É Direto.
- Viu lhe? É Indireto.
Gabarito A
O pronome exerce a função de objeto direto porque completa o sentido do verbo “imaginei” sem a presença de preposição.
Basta perguntar “imaginei o quê?”; a resposta é o próprio pronome, que recebe diretamente a ação verbal.
CFOPMBA
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