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Q4046159 Português
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O outro

Atentos ao visual, candidatos usam roupas para disfarçar características durante programa eleitoral, como altura, peso e calvície. (Eleições, 21 ago. 2000)

    Ele queria muito ser eleito. Não: ele precisava muito ser eleito. Estava atrás de um emprego que lhe desse um bom salário, mordomias e verbas para gastar na contratação de assessores - além, claro, das múltiplas oportunidades que, como vereador, teria. O problema era arrumar votos. Não tinha amigos, não era conhecido, nem sequer recebera um apelido pitoresco que pudesse usar na propaganda. Mas o pior não era isso. O pior é que combinava um visual péssimo - baixinho, gordinho, careca- com uma congênita inabilidade para falar em público. Em desespero, resolveu procurar um marqueteiro. Estava disposto a gastar uma boa grana nisso, desde que pudesse adquirir uma nova imagem, uma imagem capaz de garantir a eleição.
    O marqueteiro, famoso, exigiu honorários salgados, mas garantiu resultados. Que, de fato, não se fizeram esperar. Em poucas semanas, o candidato era outro. Mais magro, mais alto (saltos especiais) com uma bela peruca, parecia agora um galã de novela. Além disso, transformara-se num fantástico orador, um orador capaz de galvanizar o público com uma única frase. Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos. O que representou um duplo alívio: de um lado, conquistava o cargo tão sonhado. De outro, podia deixar de lado a peruca, os sapatos com saltos especiais e a dieta. E também podia falar normalmente, no tom meio fanhoso que o caracterizava.
    E aí começaram as surpresas desagradáveis. Quando foi tomar posse, ninguém o reconheceu. Mas como? Então era aquele o tipo charmoso, magnético, da tevê e dos cartazes? Era ele sim, como o comprovou, mostrando a identidade. Não foi a única contrariedade. Logo descobriu que, como vereador, era péssimo: não sabia falar, não convencia ninguém, sequer era procurado por lobistas. Bom mesmo, concluiu com amargura, era o Outro, aquele que o marqueteiro tinha inventado. Aquele, sim, podia fazer uma grande carreira, chegando quem sabe à Presidência.
    Mas onde estava o Outro? Só uma pessoa poderia ajudá-lo nessa busca, o marqueteiro. Só que o marqueteiro tinha sumido. Com o dinheiro ganho nas eleições, resolvera passar dois anos em alguma praia do Caribe. Todas as noites o vereador sonha com o Outro. Vê-o na Câmara, discursando, empolgando multidões.
    Mas não sabe o que fazer para encontrá-lo. Sabe, sim, o que dirá se isso um dia acontecer. E o que dirá, numa voz fanhosa e emocionada, será: o senhor pode contar com meu voto - para sempre.

(Moacyr Scliar - Folha de São Paulo, 28 de agosto de 2000). 
Avalie as proposições e as marque (V) para verdadeiro e (F) para falso.

( ) Em: “Ele queria muito ser eleito. Não: ele precisava muito ser eleito.”, o advérbio NÃO admite a substituição, sem prejuízo semântico, pela expressão “ou melhor”, com valor de retificação.
( ) Em: “Estava atrás de um emprego que lhe desse um bom salário, mordomias e verbas para gastar na contratação de assessores - além, claro, das múltiplas oportunidades que, como vereador, teria.”, o item COMO na expressão “como vereador”, corresponde a “na condição de”.
( ) Em: “Logo descobriu que, como vereador, era péssimo: não sabia falar, não convencia ninguém, sequer era procurado por lobistas.”, o item LOGO se caracteriza como uma conjunção com valor de conclusão.
( ) Em: “Então era aquele o tipo charmoso, magnético, da tevê e dos cartazes? Era ele sim, como o comprovou, mostrando a identidade.”, a estrutura Era ele sim, como o comprovou pode ser parafraseada, sem prejuízo semântico, por: “Era ele sim, como comprovou ser”.
( ) Em: “Bom mesmo, concluiu com amargura, era aquele que o marqueteiro tinha inventado”, a forma verbal composta tinha inventado” tem como estrutura correspondente a forma verbal simples INVENTOU, no pretérito perfeito. 
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