A dor pélvica crônica (DPC) é uma das principais razões par...
I.Entre os fatores que podem justificar a ocorrência de varizes pélvicas, destacam-se a desembocadura da veia ovariana esquerda na veia renal esquerda em ângulo reto, que facilita o refluxo venoso.
II.A dor miofascial pélvica resulta de espasmos involuntários dos músculos do assoalho pélvico sendo algumas das causas distúrbios inflamatórios, parto, cirurgia pélvica e traumatismos.
III.A osteíte púbica refere-se à dor abdominal e pélvica mais baixa, sendo as principais características clínicas fadiga, diarreia, cólica abdominal, perda de peso e febre, com ou sem sangramento grave.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Tema central: A dor pélvica crônica (DPC) é multifatorial e exige raciocínio integrando causas ginecológicas, musculoesqueléticas, urológicas, gastrointestinais e neuropáticas. Identificar pistas anatômicas e clínicas específicas evita erros comuns em prova.
Alternativa correta: D — Apenas as proposições I e II estão corretas.
I. Varizes pélvicas e anatomia venosa da esquerda: A veia ovariana esquerda drena na veia renal esquerda em ângulo reto, predispondo a refluxo venoso e à síndrome da congestão pélvica (associada também ao “nutcracker” da veia renal esquerda). Clinicamente, dor pélvica surda, pior à tarde, ortostatismo, dyspareunia e varizes vulvares. Exames: US transvaginal com veias >5 mm e refluxo, RM/angio-TC; padrão-ouro: venografia. Referências: ACOG Practice Bulletin – Chronic Pelvic Pain (2020); UpToDate – Pelvic congestion syndrome.
II. Dor miofascial do assoalho pélvico: Resulta de hipertonia/espasmo dos músculos (e.g., levantador do ânus, obturador interno). Desencadeantes: processos inflamatórios, parto, cirurgias pélvicas e traumas. Quadro: dor localizada, pontos-gatilho, dyspareunia, dor à palpação interna que reproduz o sintoma. Conduta: fisioterapia do assoalho pélvico, liberação miofascial, infiltração de pontos-gatilho. Referências: ACOG 2020; UpToDate – Evaluation of chronic pelvic pain.
III. Osteíte púbica (incorreta): É inflamação estéril da sínfise púbica (atletas, puerpério, pós-cirurgias pélvicas). Sintomas típicos: dor suprapúbica/virilha, piora com adução/sentar-levantar, dor à palpação da sínfise. Diagnóstico: RNM com edema ósseo. Os sinais descritos na proposição (fadiga, diarreia, cólicas, perda de peso, febre e sangramento) são de doença inflamatória intestinal, não de osteíte púbica. Referências: UpToDate – Osteitis pubis.
Estratégia de prova:
- Associe anatomia venosa esquerda à congestão pélvica (pista anatômica clássica).
- “Espasmo do assoalho pélvico” + pontos-gatilho → dor miofascial.
- Desconfie de proposições que misturam sinais gastrointestinais sistêmicos com doenças musculoesqueléticas locais (pegadinha da III).
Análise das alternativas:
- A (II e III): Errada, pois a III descreve quadro de DII, não osteíte púbica.
- B (III): Errada pelo motivo acima.
- C (II): Incompleta; ignora a proposição I, que é correta.
- D (I e II): Correta; ambas condizem com a evidência.
Dica clínica: Se o enunciado citar dor que piora no ortostatismo vespertino, multiparidade e varizes vulvares, pense em congestão pélvica. Se houver dor reproduzida à palpação do assoalho pélvico, pense em miofascial. GI sistêmico → avalie DII, não osteíte púbica.
Fontes essenciais: ACOG Practice Bulletin No. 218 – Chronic Pelvic Pain (2020); UpToDate: Chronic pelvic pain in adult women; Pelvic congestion syndrome; Osteitis pubis.
Gabarito: D
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