O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no pl...
A dor como destino
Outro dia, folheando desavisadamente um livro de Schopenhauer (há autores que jamais devemos frequentar desavisadamente...), deparei-me com este trecho:
Trabalho, aflição, esforço e necessidade constituem durante toda vida a sorte da maioria das pessoas. De fato: se todos os desejos, apenas originados, já estivessem resolvidos, o que preencheria então a vida humana? Que se transfira o homem a um país utópico, em que tudo cresça sem ser plantado, em que as aves revoem já assadas, e cada um encontre logo sua bem-amada. Ali os homens morrerão de tédio ou se enforcarão; promoverão guerras, massacres e assassinatos para se proporcionarem mais sofrimento do que o posto pela natureza.
Será mesmo que sofremos porque precisamos? É da nossa natureza ocupar-nos com nossos desejos insatisfeitos, sem os quais vivemos infelizes pela falta de uma causa para viver? Nosso grande poeta Drummond, um schopenhaueriano empedernido, chegou a escrever: “Estamos para doer, estamos doendo". E outro Andrade, o Mário, garantiu-nos: “A própria dor é uma felicidade".
De minha parte modestíssima, ouso dizer: se um dia me sentir absolutamente feliz, tentarei não me matar. Talvez também não conte para ninguém, para que não me matem. De inveja.
(Bráulio Ventura, inédito)
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Gabarito comentado
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: A alternativa B exige concordância verbal com sujeito posposto plural: em "...... constituir um traço marcante do pensamento de Schopenhauer as sombras de uma implacável negatividade", o sujeito é "as sombras de uma implacável negatividade"; por isso, "costumar" deve flexionar-se no plural, formando "costumam".
- Antes de flexionar o verbo, localize o sujeito real da oração; a ordem invertida pode esconder o núcleo que comanda a concordância.
- Não faça concordância com termo preposicionado: expressões iniciadas por "a", "às", "de", "dos" podem estar perto do verbo e não ser sujeito.
- Se houver "se", verifique se a estrutura indetermina o sujeito; nesse caso, o verbo fica no singular.
- Com "haver" no sentido de existir, mantenha a locução verbal no singular: o termo plural seguinte não é sujeito.
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O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no plural para preencher de modo correto a lacuna da frase:
a) A poucos filósofos costuma-se ...... (atribuir) inflexões tão pessimistas como a Schopenhauer. (ATRIBUIR, pois costuma-se atribuir a poucos filósofos...)b) ...... (costumar) constituir um traço marcante do pensamento de Schopenhauer as sombras de uma implacável negatividade. (GABARITO - COSTUMAM, pois as sombras costumam constituir...)
c) Às teses desse filósofo pessimista ...... (dever) corresponder, segundo alguns críticos, uma argumentação mais substantiva. (DEVE, pois uma argumentação mais substantiva deve corresponder...)
d) Dos nossos desejos insatisfeitos ...... (restar) sempre, de algum modo, o aprendizado dos nossos limites. (RESTA, pois o aprendizado resta...)
e) Mesmo que ...... (poder) haver muitas pedras no caminho, não há por que desistir desta grande viagem. (POSSA)
--> o verbo principal (há) contaminou o verbo auxiliar (poder).
Como, neste caso, o verbo "haver" é impessoal, ele permanece na 3ª pessoa do singular.
Observação:
- Os verbos “haver”, “fazer”, “ir”, quando se apresentam com valor de existir, ocorrer ou tempo decorrido.
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