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Ano: 2022 Banca: IBFC Órgão: SES-DF Prova: IBFC - 2022 - SES-DF - Médico - Urologia |
Q1942948 Medicina
Paciente com 23 anos e história de trauma raquimedular há 05 anos. Refere paraplegia inicial e que, da altura do umbigo para baixo, ainda tem alguma diminuição na sensibilidade. Desde após o evento, tem sensibilidade vesical, desejo miccional e consegue realizar micção espontânea. Porém se queixa de urgência e perdas recorrentes. Na urodinâmica, identificamos hiperatividade vesical com dissinergismo, estudo fluxo pressão com Qmax 15ml/s, pressão detrusora no Qmax 30cmH2O, curva intermitente achatada com resíduo de 100ml. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta. 
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Comentário da questão (Urologia - Disfunção Neurogênica do Trato Urinário em lesão medular):

Tema central: Disfunção neurogênica do trato urinário inferior (DNTUI), secundária a lesão medular, com manifestação de hiperatividade vesical associada a dissinergismo esfincteriano. O paciente relata perda urinária e urgência, confirmadas pela urodinâmica (curva achatada, pressão detrusora elevada, resíduo pós-miccional).

Justificativa para a alternativa correta (B - Alfa-bloqueador + Antimuscarínico):

1. Antimuscarínicos: São fármacos de primeira linha em casos de bexiga hiperativa neurogênica, pois reduzem a contração involuntária do detrusor, diminuindo episódios de urgência e incontinência.
2. Alfa-bloqueadores: Relaxam o esfíncter uretral externo, facilitando a micção e diminuindo o resíduo pós-miccional, o que é crucial na presença de dissinergismo.
Segundo as Diretrizes de Atenção à Pessoa com Lesão Medular (Ministério da Saúde, p. 41): “O uso combinado de agentes que reduzam a atividade do detrusor e que facilitem o relaxamento do esfíncter é recomendado na presença de hiperatividade vesical com dissinergismo.”

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Alfa-bloqueador + Inibidor de 5-alfa redutase: Inibidores de 5-alfa redutase não têm indicação para jovens sem hiperplasia prostática. Ebome opção inadequada para o quadro apresentado.
  • C) Cateterismo Limpo Intermitente + Antimuscarínico: O cateterismo só é mandatório quando há retenção urinária relevante ou incapacidade de esvaziamento espontâneo, o que não é o caso aqui.
  • D) Inibidor de 5-alfa redutase + Antimuscarínico: Novamente, uso incorreto do inibidor, pois não há hiperplasia prostática.
  • E) Sondagem Vesical de Demora: Contraindicada no longo prazo devido ao risco de infecção e complicações (formação de cálculos, tumores).

Dica para provas: Observe sempre a idade do paciente, história de trauma medular, sintomas miccionais e resultados urodinâmicos. Alternativas com inibidores de 5-alfa redutase só têm valor em casos de HPB e não em jovens neurogênicos.

Em resumo, a associação de alfa-bloqueador e antimuscarínico combate os dois principais mecanismos fisiopatológicos do caso, respondendo ao que de fato o paciente necessita, segundo as diretrizes atuais e melhores práticas clínicas.

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Comentários

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A resposta correta é a alternativa B - Alfa-bloqueador + Antimuscarínico. O paciente apresenta hiperatividade vesical com dissinergismo, o que pode causar urgência e perdas recorrentes. O alfa-bloqueador ajuda a relaxar a musculatura da próstata e uretra, melhorando o fluxo urinário. Já o antimuscarínico auxilia no controle da hiperatividade vesical, diminuindo a urgência e as perdas urinárias. O uso de cateterismo limpo intermitente pode ser necessário em casos de retenção urinária, mas não é indicado neste caso. O uso de inibidor de 5-alfa redutase é indicado para casos de hiperplasia prostática benigna e não para hiperatividade vesical. A sondagem vesical de demora é uma opção para casos graves de retenção urinária, mas não é indicada neste caso.

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