O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Após críticas, Las Vegas une esporte e
entretenimento na Fórmula 1
O Grande Prêmio de Las Vegas, disputado na noite do
último sábado (18) nos Estados Unidos, marcou um novo
padrão de esporte e entretenimento para a Fórmula 1 em
seus mais de 70 anos de história.
No início, houve quem criticasse, sobretudo após uma
falha na pista provocar o adiamento do primeiro treino
livre e criar o caos logístico, incluindo a expulsão de
torcedores das arquibancadas às duas da manhã.
Parecia que o excesso de preocupação com a parte do
"show business" tinha superado a parte esportiva − uma
das principais críticas do atual campeão da F1, Max
Verstappen. Mas eis que a corrida da noite do sábado
trouxe o que os fãs e promotores enfim esperavam: uma
corrida extremamente movimentada, com disputas de
posições intensas e incluindo três pilotos brigando pela
vitória em luta franca até a volta final: Charles Leclerc, da
Ferrari, Sergio Perez e o próprio Verstappen − ambos da
Red Bull.
Após a corrida, um Rolls Royce levou os pilotos para as
entrevistas oficiais no local mais famoso de Las Vegas: a
fonte do hotel Bellagio. A conversa dos três mostrava
que a parte esportiva, afinal, foi atingida com sucesso − e
o lado entretenimento também, com uma cena inédita
dos pilotos chegando de forma luxuosa ao popular
cenário de diversos filmes de Hollywood (como Ocean's
Eleven) em plena Las Vegas Boulevard, a popular Strip.
Além disso, foi muito bem amarrada a outra parte muito
importante: a dos negócios, já que toda a cerimônia,
transmitida ao vivo para mais de 150 países e antes do
pódio, certamente contribuiu como ação de marketing para promover o turismo local e o hotel e casino parceiro
do evento. Neste mesmo local foi erguido uma das
maiores áreas VIP de toda temporada, com capacidade
para 3.600 pessoas.
Após a corrida, até mesmo o antes crítico da prova, Max
Verstappen, admitiu que a prova foi uma das melhores
do ano. Vale lembrar que, no dia anterior, ele afirmou
que a corrida em Las Vegas era a "liga nacional"
enquanto Mônaco, por exemplo, era a "Champions
League".
Mesmo tendo perdido a prova nas voltas finais, Leclerc
também destacou a corrida como bastante emocionante.
Sua ultrapassagem no derradeiro giro para garantir o
segundo lugar foi comemorada como gol pelos
norte-americanos, que torciam para Perez e também
para a Ferrari ao mesmo tempo. Até mesmo a manobra
de Verstappen pela liderança foi bastante celebrada − o
que valia era o show.
Os ingredientes de sucesso foram o traçado de Las
Vegas, com uma reta de quase dois quilômetros na Strip,
a avenida dos hotéis famosos e casinos, e uma baixa
aderência da pista, por conta da F1 ser o único evento
do final de semana (sem provas preliminares, que
ajudam a emborrachar o asfalto). Além disso, a
dificuldade em controlar os carros também foi agravada
pela baixa temperatura no deserto durante o período
noturno (a prova foi disputada entre 22h e 23h30).
"Isso é algo que poderia ser repensado para os próximos
GPs aqui em Las Vegas, com uma categoria preliminar
ajudando a deixar a pista em melhores condições e
também o horário, que é muito frio", sugeriu Perez.
De fato, ao final do evento, a impressão de que é
possível tornar o GP mais esportivo e menos
entretenimento ficou evidente. E da mesma forma ficou a
impressão de que formatos como o visto em Las Vegas
vieram para ficar na F1.
Com os novos donos norte-americanos (Liberty Media), o
jeito de apresentar o esporte a antigos fãs revolucionou
os negócios na categoria. Ela já estava acostumada a
altas cifras, mas agora finalmente conquistou o sonhado
mercado norte-americano, ainda há um preço "alto" a se
pagar, com três corridas na América: Miami, Austin e
agora, Las Vegas.
O grid na noite de sábado foi certamente o mais cheio de
toda a temporada − quiçá de toda a história da F1. Era
possível "tropeçar" em celebridades em Las Vegas, seja
Brad Pitt, Rihanna, Axl Rose, Tom Brady, Renée
Zellweger...E melhor do que isso, em todo o circuito e
nos hotéis espalhados por Las Vegas, era possível
encontrar milhares de torcedores vindo de todos os
estados norte-americanos usando camisas de seus times
e pilotos favoritos − e isso não inclui apenas Red Bull,
Mercedes ou Ferrari.
Se Las Vegas vai se consolidar como uma etapa de fato
especial no calendário, como o "Super Bowl" do
automobilismo para a F1 nos Estados Unidos (talvez
como é a Indy-500 hoje para os norte-americanos), ainda
é cedo para dizer. Mas que o evento deste final de semana provou ser
possível unir esporte e entretenimento, isso é inegável.
Agora, resta definir se os promotores da F1 conseguirão
dosar na medida certa esta equação para agradar
pilotos, equipes, patrocinadores e, principalmente, os
novos torcedores. Mas também sem perder a essência
daquilo que os fãs mais antigos se apaixonaram pelo
esporte.