Está plenamente adequada a correlação entre tempos e modos v...

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A cor do invisível

Certo autor famoso dividiu um livro seu em duas partes: na primeira, contos realistas, na segunda, contos fantásticos. Resultado: tem-se a frustrada impressão de que ficou cada uma das partes amputada da outra, quando na realidade os dois mundos convivem. Por que chamar de invisível ou fantástico a esse mundo de que faz parte a caneta esferográfica com que vou abrindo caminho pelo papel como um esquiador sobre o gelo? Este é o mundo que se vê... e no entanto pertence ao mesmo mundo espiritual que está movendo a minha mão.
Um dia, num poema, ante esse frêmito que às vezes agita quase imperceptivelmente a relva do chão, eu anotei: são os cavalos do vento que estão pastando.
Invisíveis? Disse Ambrosio Bierce que, da mesma forma que há infrassons e ultrassons inaudíveis ao ouvido humano, existem cores no espectro solar que a nossa vista é incapaz de distinguir. Ele disse isso num conto seu, para explicar os estragos e as estrepolias de um monstro que "ninguém não viu".
Mas deixemos de horrores e de monstros - coisas de velhas e crianças - e acreditemos na cor dos seres por enquanto invisíveis para nós, como é chamado invisível este oceano de ar dentro do qual vivemos. Há muitas cores que não vêm nos dicionários. Há, por exemplo, a indefinível cor que têm todos os retratos, os figurinos da última estação, a voz das velhas damas, os primeiros sapatos, certas tabuletas, certas ruazinhas laterais: ? a cor do tempo...


(Adaptado de Mário Quintana, Na volta da esquina)
Está plenamente adequada a correlação entre tempos e modos verbais na frase:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A correção depende da correlação verbal normativa no período composto: a alternativa E é a única que compatibiliza presente genérico (“é”), futuro do subjuntivo em relação de eventualidade (“de onde saírem”), futuro do indicativo (“repousará”) e anterioridade expressa por infinitivo composto (“depois de o haver servido”), o que a torna a única plenamente adequada.

Tema central: correlação verbal normativa
Análise das alternativas
A
Errada
Há desajuste entre a oração condicional no pretérito imperfeito do subjuntivo, “Se separássemos”, e a principal no presente do indicativo, “pode reduzir-se”. Nessa correlação, a principal deve vir com forma compatível de valor potencial, não com presente do indicativo. O sentido de possibilidade expresso por “pode” não corrige a incompatibilidade verbal.
B
Errada
A sequência “notou” / “compusera” / “havia transcrito” distribui mal a anterioridade. “Compusera” e “havia transcrito” indicam ações anteriores a um marco já passado, mas o contexto sugerido vincula essas ações ao momento da percepção e do registro, não a um passado anterior a “notou”. O problema é de linha temporal anômala.
C
Errada
A construção “lembraria que houvesse sons inaudíveis” usa subjuntivo em contexto inadequado, porque o verbo declarativo/rememorativo introduz conteúdo apresentado como fato ou lembrança, não como hipótese nesse caso. Além disso, “da mesma forma que ... se percebam” mantém subjuntivo sem gatilho sintático adequado. Há emprego indevido do subjuntivo em ambas as passagens.
D
Errada
Depois de “Se o próprio ar que respiramos é invisível”, a sequência “por que não viéssemos a crer” quebra a correlação verbal. O pretérito imperfeito do subjuntivo aparece sem estrutura regente que o justifique e não se ajusta ao valor argumentativo da frase, que pediria formulação com valor presente ou potencial. A inadequação é verbal, não temática.
E
Certa
A alternativa E mantém compatibilidade temporal e modal em toda a frase. O verbo “é” apresenta um dado de valor geral; “de onde saírem” emprega corretamente o futuro do subjuntivo para marcar eventualidade ligada a referência futura; “repousará” projeta a ação para o futuro; e “depois de o haver servido” indica ação já concluída antes desse repouso futuro. A articulação entre essas formas é regular segundo a norma-padrão, sem quebra de sequência temporal.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de aceitar frases apenas porque o sentido geral parece compreensível ou porque o subjuntivo soa mais sofisticado. Aqui, o decisivo não é a ideia transmitida, mas a compatibilidade normativa entre tempos e modos; por isso, a forma menos usual “saírem” pode causar estranhamento e levar o candidato a rejeitar justamente a alternativa correta.
Dica para questões semelhantes
  • Em período com “se”, confira se a principal acompanha corretamente o valor hipotético da subordinada; possibilidade semântica não basta.
  • Quando houver referência a eventualidade futura em subordinada, teste o futuro do subjuntivo como forma regular.
  • Se uma ação já estiver concluída antes de outra projetada no futuro, verifique se aparece forma de anterioridade compatível, como o infinitivo composto.
  • Não valide uma alternativa só porque o tema combina com o texto-base; primeiro examine a sequência verbal.

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Comentários

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Parece que a resposta certa é mesmo a letra E.

A caneta esferográfica, de onde saírem as mágicas imagens de um escritor, é a mesma que repousará sobre a cômoda, depois de o haver servido.

Saírem está no Futuro do Subjuntivo, enquanto repousará está no Futuro do Presente Indicativo. Portanto, eles estão de acordo com as regras de correlação verbal.
 

não entendi o erro da alternativa B, quem puder me ajudar, manda um recado pessoal. Valeu :)
bons estudos!
Na letra B compusera é pretérito mais-que-perfeito, ação ocorrida antes de outra ação no passado. No caso em questão, a sequência de ações está invertida!

GABARITO LETRA E 

 

CORRELAÇÃO VERBAL 

 

FUTURO DO PRESENTE DO INDICATIVO + FUTURO DO SUBJUNTIVO 

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