Leia atentamente o texto a seguir, escrito pelo cronista brasileiro Antônio Maria, para responder a questão.
“Não encontrei, até hoje, uma só razão para que alguém se matasse. Leio todas as cartas dos suicidas, cada
uma mais absurda e ingênua. A uns, falta dinheiro. A outros, amor de mulher. Que frágil a humanidade ao desejar, constantemente, ser amada e rica! Hoje, por exemplo, nos jornais da manhã, a notícia do rapaz que se
atirou de um décimo andar, unicamente, porque era feio. Achava que as mulheres não o queriam para nada.
Dedico esta crônica a todos os homens feios do Brasil. Sendo um deles, posso falar com autoridade. Fiquem
certos, colegas, de que não há nada mais sem graça que homem bonito. São chatíssimos. As mulheres já não
os suportam e se bandeiam, aflitas, para nós, que somos confortavelmente feios, encantadoramente feios,
venturosamente feios. Ai de nós, se não fosse a bobagem dos rapazes bonitos! Não se cuidam, colegas. Ou
melhor, cuidar, cuidam do cabelo, do colarinho, da gravata, do terno e dos borzeguins. Feito tudo isso, acham
que já cumpriram todos os seus deveres para com a humanidade e Deus. Então, ficam aquelas figuras a dar
um show de vaziísmo desastroso. Enquanto isso, nós, os privilegiadamente horríveis, vamos cuidando de fazer alguma coisa − fazer, já que não somos. Ou somos tanto por dentro, que não precisamos fazer nada por
fora. Vocês, meus caríssimos companheiros do Feiúra Futebol Clube, examinem, por aí, o enorme êxito dos
feios. Frank Sinatra, por exemplo. Não há homem que dê mais sorte com mulher, no mundo inteiro. E é feio
mesmo. Mas faz bonito tudo o que faz. Basta sorrir e olhar, para que elas não queiram mais sair de perto. Coitado desse colega nosso, que se atirou do décimo andar porque a companheira de repartição negou-lhe um
encontro. Coitados de todos aqueles que repetem suspirosos: ‘Ah, eu não dou sorte com mulher!’. É engano,
prezadíssimos irmãos! Eu, se tivesse pretensões amorosas e trabalhasse nesse ramo, em cada um dos meus
fracassos lamentaria as desditosas mulheres que não dessem sorte comigo."
(Aos suicidas e feios, por Antônio Maria, com adaptações.)
Com base na interpretação do texto, pode-se afirmar que o seu autor:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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