Paciente masculino de 29 anos que retornou recentemente de...
Gabarito comentado
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Tema central: neuropatia periférica por deficiência de vitamina B6 (piridoxina), especialmente quando induzida por isoniazida, fármaco usado no tratamento prolongado de tuberculose.
Alternativa correta: A – Vitamina B6
Raciocínio clínico: O histórico de “infecção pulmonar” tratada por longo período após estadia na Índia sugere tuberculose. A isoniazida inativa a forma ativa da B6 (piridoxal-fosfato), levando a neuropatia periférica (parestesias nos pés), além de glossite e dermatite seborreica (“caspa”). A suplementação de piridoxina previne esse efeito adverso. Diretrizes da OMS e revisões do UpToDate recomendam piridoxina 10–50 mg/dia em pacientes em uso de isoniazida com risco para neuropatia (desnutrição, diabetes, gestação, HIV) e frequentemente de forma rotineira durante o tratamento antituberculoso. (WHO consolidated guidelines for TB treatment; Harrison’s Principles of Internal Medicine).
Por que as demais estão incorretas?
B – Vitamina A: Deficiência cursa com nictalopia (cegueira noturna) e xerose ocular; não está relacionada à neuropatia por fármaco nem a glossite/“caspa”.
C – Vitamina C: Deficiência (escorbuto) causa hemorragias gengivais, petequias, má cicatrização e “pelos em saca-rolhas”; não explica parestesias induzidas por isoniazida.
D – Vitamina B12: Pode causar neuropatia (degeneração combinada subaguda), com perda de propriocepção/vibração e anemia macrocítica. Contudo, não é o déficit prevenido por isoniazida; além disso, a pista da dermatite seborreica favorece B6. B12 não é o suplemento recomendado de rotina com isoniazida.
E – Vitamina E: Deficiência pode cursar com neuropatia e ataxia, mas ocorre em síndromes de má absorção lipídica (ex.: abetalipoproteinemia), não como efeito da isoniazida, e não previne essa toxicidade.
Fisiopatologia essencial: A piridoxina é cofator em reações de transaminação e na síntese de neurotransmissores e de heme. Sua deficiência pode causar neuropatia periférica e anemia sideroblástica (ALAS dependente de B6). A isoniazida aumenta a necessidade e a perda de B6.
Estratégia de prova (pegadinhas): B12 também dá neuropatia e glossite, mas atente para: (1) fármaco gatilho (isoniazida) → B6; (2) dermatite seborreica (“caspa”) → reforça B6; (3) ausência de achados típicos de B12 (ataxia, perda de vibração, anemia macrocítica).
Conduta prática: Em pacientes em uso de isoniazida, prescrever piridoxina 10–50 mg/dia para prevenção; ajustar se sintomas surgirem. Avaliar hemograma (possível anemia sideroblástica) e, se necessário, eletroneuromiografia.
Gabarito: A – Vitamina B6 (piridoxina)
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