Considere o seguinte trecho: "A escola que se pretende demo...

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Q3874397 Pedagogia

Texto para a questão.

 

A Escola como Território de Resiliência e Ética na Era da Complexidade

 

A função social da escola contemporânea tem sido tensionada por fenômenos que transcendem os muros da sala de aula, exigindo do fazer docente uma postura que vai além da mera transposição didática. No cenário atual, a instituição escolar não é apenas um espaço de instrução, mas um território estratégico de resiliência e mediação de conflitos globais e locais. Diante da emergência climática, por exemplo, a escola assume um papel ambivalente: ao mesmo tempo em que deve educar para a sustentabilidade e para a "continuidade da vida", ela se vê desafiada a estruturar-se como um porto seguro físico e emocional para comunidades impactadas por eventos extremos. Essa "pedagogia da resiliência" não se limita ao conteúdo programático de Ciências ou Geografia, mas permeia a gestão do cuidado e a formação de uma consciência coletiva sobre a interdependência entre os sistemas humanos e naturais.

Paralelamente, a aceleração tecnológica, materializada na onipresença da Inteligência Artificial e na ubiquidade dos dispositivos móveis, impõe novos dilemas éticos e pedagógicos. O debate sobre a restrição do uso de celulares no ambiente escolar, que culminou em normativas recentes no cenário brasileiro, reflete uma tentativa de resgatar a atenção e a interação humana como fundamentos do processo de aprendizagem. Contudo, a proibição isolada, desacompanhada de uma reflexão crítica sobre a literacia digital, corre o risco de ser um paliativo diante de uma realidade onde a tecnologia já reconfigurou as formas de pensar e se relacionar. O desafio do professor, portanto, reside em equilibrar a necessária desconexão para o foco com a indispensável inclusão digital ética, transformando a ferramenta técnica em instrumento de emancipação intelectual e não de mera passividade consumista.

Nesse contexto de múltiplas transições, a educação para a equidade — sustentada por marcos legais como as leis que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afrobrasileira e indígena — deixa de ser uma efeméride para se tornar o cerne de uma prática antirracista e inclusiva. A escola que se pretende democrática deve enfrentar as desigualdades estruturais que se manifestam no cotidiano escolar, desde a escolha dos materiais didáticos até a sensibilidade no acolhimento das diversidades. Assim, o magistério hoje exige uma competência polifônica: a capacidade de articular o rigor do conhecimento científico com a sensibilidade das habilidades socioemocionais, compreendendo que o sucesso da aprendizagem está intrinsecamente ligado à capacidade da escola de se manter relevante, humana e ética em um mundo em constante e imprevisível transformação.

Considere o seguinte trecho: "A escola que se pretende democrática deve enfrentar as desigualdades estruturais que se manifestam no cotidiano escolar, desde a escolha dos materiais didáticos até a sensibilidade no acolhimento das diversidades."
A partir da leitura do texto, infere-se que a prática antirracista mencionada pelo autor: 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O trecho afirma que a educação para a equidade deve tornar-se cerne de uma prática antirracista e inclusiva e que a escola democrática deve enfrentar desigualdades estruturais no cotidiano escolar. Isso afasta leituras de ação pontual, formal ou apenas individual e conduz à alternativa A.

Tema central: prática antirracista estrutural
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque corresponde ao que o texto explicita: a prática antirracista e inclusiva é central e deve enfrentar desigualdades estruturais presentes no cotidiano escolar.
B
Errada
Está errada porque classifica a prática antirracista como periférica e apenas reativa a conflitos explícitos. O texto afirma exatamente o contrário ao dizer que ela é o cerne de uma prática escolar democrática e inclusiva.
C
Errada
Está errada porque reduz a prática antirracista ao cumprimento formal das leis em datas comemorativas. O próprio texto afasta essa leitura ao dizer que a educação para a equidade deixa de ser uma efeméride.
D
Errada
Está errada porque atribui a questão exclusivamente à sensibilidade individual do professor. No texto, o enfrentamento das desigualdades é apresentado como tarefa da escola e apoiado por marcos legais, portanto não se limita à atuação individual sem coordenação institucional.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi reduzir a prática antirracista a evento pontual, formalismo legal ou atitude apenas individual, ignorando o termo 'estruturais' e a afirmação de que o tema é o cerne da prática escolar democrática.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto usa expressões como 'cerne', descarte alternativas que tratem o tema como periférico ou secundário.
  • Se o enunciado afirma que algo 'deixa de ser efeméride', elimine opções que o restrinjam a datas comemorativas ou ações pontuais.
  • A presença de 'desigualdades estruturais' desloca a resposta do plano apenas individual para o plano institucional e cotidiano da escola.

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