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Na meningoencefalite fúngica, a análise do líquor fornece informações importantes para o diagnóstico diferencial. Em infecções causadas por fungos, como Cryptococcus ou Candida, um dos achados típicos na análise do líquor é:
Gabarito comentado
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Tema central: A análise do líquor (LCR) na meningoencefalite fúngica — especialmente por Cryptococcus e Candida — tipicamente mostra redução da glicose, aumento de proteínas e pleocitose com predomínio linfocitário. Em criptococose, é comum também pressão de abertura elevada.
Alternativa correta (E): Redução da glicose, aumento das proteínas e pleocitose linfocitária. Isso reflete consumo de glicose pelos fungos/células inflamatórias e aumento de permeabilidade da barreira hematoencefálica, resultando em hiperproteinorraquia. O padrão celular é linfocitário na evolução subaguda típica de infecções fúngicas e tuberculosas. Em Cryptococcus, frequentemente há pressão de abertura elevada, reforçando o perfil inflamatório crônico. Fontes: UpToDate; Harrison’s; Diretrizes IDSA para criptococose.
Por que as outras estão erradas?
A – “Glicose elevada e aumento de proteínas”: Glicose elevada no LCR não é achado típico de meningite. A glicose do LCR acompanha a sanguínea e raramente está “elevada” por causa do processo infeccioso. Já a proteína pode aumentar, mas essa combinação não caracteriza infecção fúngica.
B – “Pleocitose com predomínio de neutrófilos”: Predomínio neutrofílico é mais comum em bacteriana aguda. Em fúngicas pode haver neutrófilos no início, mas o padrão típico e sustentado é linfocitário. Usar o predomínio neutrofílico levaria a confundir com etiologia bacteriana.
C – “Aumento da pressão de abertura com glicose normal”: A pressão pode estar aumentada na criptococose, mas glicose normal não é o padrão esperado nas fúngicas (tipicamente há hipoglicorraquia). Portanto, é incompleta como achado “típico”.
D – “Pleocitose com predomínio de eosinófilos”: Eosinofilorraquia sugere parasitárias (ex.: Angiostrongylus) ou reações a drogas. Há exceção em Coccidioides (fungo) que pode cursar com eosinófilos, mas não é o padrão clássico das fúngicas como um todo.
Dicas de prova:
- Bacteriana: glicose baixa, proteína alta, neutrófilos.
- Viral: glicose normal, proteína normal/alta discreta, linfócitos.
- Fúngica/TB: glicose baixa, proteína alta, linfócitos; na criptococose, atenção à pressão de abertura elevada.
Exames que confirmam: Tinta da China (criptococo), antígeno criptocócico no LCR (teste de fluxo lateral; alta sensibilidade), cultura fúngica (Sabouraud). Em crianças e imunossuprimidos, considerar β-D-glucana conforme disponibilidade. Referências: UpToDate; IDSA 2010/2018; Harrison’s.
Aplicação prática: Diante de LCR com glicose baixa + proteína alta + linfócitos, pense em fungos ou TB. Se pressão de abertura muito alta e paciente imunossuprimido, priorize Cryptococcus e peça antígeno criptocócico.
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