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Q4234598 Medicina
Durante a avaliação de um paciente adulto internado em unidade de clínica médica com diagnóstico primário de sepse de foco pulmonar, a equipe de enfermagem registrou os seguintes sinais vitais nas primeiras 12 horas: pressão arterial média decrescente (de 82 mmHg para 65 mmHg), frequência respiratória ascendente (de 20 para 30 irpm), temperatura corporal persistentemente elevada (39,2 °C), taquicardia mantida (acima de 110 bpm) e débito urinário inferior a 0,4 mL/kg/h. Considerando os conhecimentos clínico-fisiológicos, as diretrizes internacionais de avaliação de pacientes críticos (como o protocolo qSOFA e os critérios do Sepsis-3), bem como o raciocínio clínico avançado em enfermagem, qual deve ser a interpretação mais adequada para o quadro descrito?
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Em paciente com sepse de foco pulmonar, a queda da PAM até 65 mmHg, a FR de 30 irpm e a oligúria (< 0,4 mL/kg/h) configuram piora hemodinâmica e disfunção orgânica por hipoperfusão, compatíveis com Sepsis-3/qSOFA e com risco de progressão para choque séptico. Esses achados definem a alternativa E e afastam hipótese de quadro compensado, localizado ou explicado por hipervolemia ou antibioticoterapia isolada.

Tema central: Sepse e choque séptico
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque contraria o critério central de disfunção orgânica na sepse. O quadro não é compensado nem localizado: há PAM em queda até 65 mmHg, taquipneia importante e oligúria, achados compatíveis com hipoperfusão tecidual. Em sepse, oligúria e hipotensão progressiva não permitem interpretar o quadro como resposta inflamatória localizada sem risco iminente.
B
Errada
Errada porque hipervolemia não é a explicação fisiopatológica sustentada pelo caso. O padrão descrito é de deterioração séptica com vasoplegia/disfunção circulatória, expressa por queda da PAM, taquipneia e redução do débito urinário. Além disso, a proposta de apenas monitoramento conservador ignora sinais de hipoperfusão em paciente séptico, o que é tecnicamente inadequado nesse cenário.
C
Errada
Errada porque, neste contexto, o débito urinário reduzido é mais bem explicado por hipoperfusão renal/disfunção orgânica da sepse. A base é explícita ao dizer que não há informação farmacológica que sustente nefrotoxicidade por antibiótico como causa principal. Com PAM em queda e oligúria < 0,5 mL/kg/h, o critério médico aponta para progressão séptica, não para efeito adverso comum da antibioticoterapia.
D
Errada
Errada porque febre isolada não define sepse nem gravidade séptica. Pelo Sepsis-3, sepse exige infecção associada a disfunção orgânica, e a base ainda destaca que 'sepse grave' é nomenclatura antiga. Portanto, afirmar que hipertermia sozinha bastaria para esse diagnóstico está tecnicamente incorreto.
E
Certa
A alternativa E está correta porque reconhece o elemento decisivo do caso: não se trata apenas de infecção com febre, mas de sepse com comprometimento de perfusão tecidual. A queda progressiva da PAM até o limiar mínimo usual de perfusão orgânica, somada à oligúria, indica hipoperfusão renal/disfunção orgânica. A FR de 30 irpm ultrapassa o ponto de corte do qSOFA para maior gravidade, e a taquicardia persistente reforça a deterioração circulatória sistêmica. A base ressalva que o enunciado não permite afirmar preenchimento formal completo de choque séptico pelo Sepsis-3, pois faltam lactato e necessidade de vasopressor, mas a redação 'provável progressão para choque séptico' é tecnicamente sustentada.
Pegadinha da questão
A banca mistura referência ao qSOFA/Sepsis-3 com um quadro em que faltam dados formais completos de choque séptico; a confusão real é achar que, por não haver lactato e vasopressor informados, não se pode reconhecer progressão para choque. O ponto correto é identificar hipoperfusão e disfunção orgânica em evolução.
Dica para questões semelhantes
  • Em sepse, valorize a combinação de hipotensão progressiva, oligúria e taquipneia como marcador de hipoperfusão e disfunção orgânica.
  • Use o qSOFA como apoio de gravidade/prognóstico, não como critério diagnóstico isolado de sepse.
  • Febre e taquicardia, sem disfunção orgânica, não bastam para definir gravidade séptica.
  • Se a alternativa disser 'provável progressão para choque séptico', não exija necessariamente todos os critérios formais completos se o enunciado já mostrar deterioração circulatória e orgânica consistente.

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