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Q4109798 Psiquiatria
Uma paciente com transtorno por uso de álcool chega a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) solicitando apoio para ficar abstinente. Cristiane tem 42 anos, é mãe, está desempregada, faz uso de álcool desde os 16 anos; ela conta que aumentou o consumo perto dos 35 anos e, desde então, faz uso diariamente e ao longo de todo o dia, com maior consumo à noite. Faz 10 dias que vem diminuindo, estando há 2 dias sem beber, mas não está se sentido bem; tem insônia, náusea e inquietação, e por isso buscou ajuda. Nega febre, suor, tremor e sintomas psicóticos. É a terceira vez que tenta parar. Nas outras vezes, tentou sozinha e não conseguiu, mas não teve problemas graves de saúde. Não costuma ir à sua UBS de referência e tem receio do que as pessoas podem falar. Na avaliação, a equipe usou o Alcohol Use Disroders Identification Test (AUDIT). O escore da paciente nesse teste foi de 24 pontos, indicando provável transtorno por uso de álcool de moderado a grave.

Adote: CAGE – sigla formada pelas iniciais em inglês das palavras-chaves das perguntas de um instrumento utilizado para avaliar uso de álcool (cutdown, annoyed, guilty e eye-opened).

Qual das alternativas a seguir descreve a conduta correta do CAPS frente ao caso?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo foi a ausência de sinais de abstinência grave no enunciado: havia sintomas leves a moderados, como insônia, náusea e inquietação, mas não febre, sudorese, tremor, sintomas psicóticos, convulsões ou delirium. Isso afasta a necessidade de encaminhamento emergencial e sustenta manejo no próprio CAPS.

Tema central: Abstinência alcoólica no CAPS
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui inibidor seletivo da recaptação de serotonina no tratamento inicial da abstinência alcoólica aguda, e essa não é a classe de escolha para esse quadro; o tratamento de referência é benzodiazepínico, com tiamina. Além disso, repetir CAGE não decide a conduta aqui, porque o caso já tem AUDIT alto e quadro clínico compatível com transtorno por uso de álcool e abstinência.
B
Errada
Está errada porque reduz a atuação do CAPS a acolhimento e encaminhamento para APS, omitindo a intervenção clínica imediata necessária. A paciente já chegou ao CAPS em abstinência após interrupção do álcool, e a base sustenta manejo no próprio serviço de saúde mental, não simples devolução para cuidado longitudinal na APS.
C
Errada
Está errada porque trata o caso como abstinência grave, com necessidade de emergência e internação breve, sem que o enunciado traga os critérios que sustentariam isso. Foram negados febre, sudorese, tremor e sintomas psicóticos, e não há relato de convulsões, delirium, rebaixamento de consciência ou instabilidade clínica.
D
Certa
A alternativa D corresponde ao manejo inicial de síndrome de abstinência alcoólica sem critérios de gravidade descritos. Na ausência de tremor importante, sudorese, alteração de sinais vitais, psicose, convulsão ou delirium, cabe manejo e seguimento no próprio serviço de saúde mental, e os benzodiazepínicos são a base do tratamento dos sintomas de abstinência, com administração de tiamina. Por isso, a conduta correta é acolher e manejar localmente, com observação por algumas horas, avaliação de rede de apoio, uso de diazepam, tiamina, orientação sobre sinais de alarme e reavaliação precoce.
Pegadinha da questão
A banca tentou fazer o candidato confundir abstinência alcoólica com qualquer urgência hospitalar e também trocar conduta clínica por instrumento de rastreio. O escore alto no AUDIT e o histórico importante indicam gravidade do transtorno por uso, mas não impõem, por si só, emergência ou internação quando faltam sinais de abstinência grave.
Dica para questões semelhantes
  • Em abstinência alcoólica, primeiro decida a gravidade pelos sinais clínicos; ausência de psicose, convulsão, delirium e instabilidade afasta encaminhamento emergencial automático.
  • No quadro agudo de abstinência alcoólica, a classe farmacológica de referência é benzodiazepínico, com administração de tiamina.
  • Instrumentos como AUDIT e CAGE ajudam no rastreio e na identificação do problema, mas não substituem a decisão clínica sobre o manejo imediato.
  • Se o paciente já está no CAPS com abstinência sem gravidade, o serviço deve acolher e iniciar tratamento, com orientação de sinais de alarme e retorno breve.

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