Um médico de família e comunidade em uma unidade de saúde l...

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Q4109792 Saúde Pública
Um médico de família e comunidade em uma unidade de saúde localizada no centro de uma grande metrópole, durante uma visita da equipe de Consultório na Rua, atende uma mulher de 18 anos, que é encontrada vivendo em um viaduto. Ela está grávida, aproximadamente no terceiro trimestre (cerca de 32 semanas, segundo seu relato). A paciente não possui documentação, não faz acompanhamento pré-natal e refere não conseguir acessar os serviços de saúde devido a situações de violência que enfrentou ao tentar buscar ajuda anteriormente. Ao exame físico, realizado em condições não ideais, observou-se que ela está pálida, com sinais de má nutrição. O exame obstétrico mostrou um útero compatível com a idade gestacional estimada, mas o batimento cardíaco fetal não pôde ser auscultado claramente com o sonar portátil.

Quais estratégias intersetoriais poderiam ser implementadas para assegurar um acompanhamento contínuo e eficaz para essa paciente durante o restante da gestação e no período pós-parto?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão distinguia a alternativa que mantém a paciente vinculada à UBS/APS e à rede de cuidado, em vez de isolá-la ou substituí-la por medida coercitiva.

Tema central: Cuidado intersetorial territorial
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe internação compulsória em Comunidade Terapêutica com base em presunção sobre uso de drogas e como forma de garantir adesão. Isso contraria o critério da questão, que exige estratégia intersetorial de cuidado contínuo centrada na APS/rede territorial, e não medida coercitiva.
B
Errada
Está errada porque, embora mencione sociedade civil e rede integrada, afasta a UBS do acompanhamento. A base afirma que a estratégia adequada deve manter vínculo com a UBS/APS; excluir esse ponto da rede compromete a coordenação do cuidado e a continuidade assistencial.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reúne os componentes exigidos para o acompanhamento contínuo: cadastro e vínculo à UBS do território, acionamento da assistência social, articulação com instituições da sociedade civil e encaminhamento ao pré-natal de alto risco/atenção especializada diante da ausência de pré-natal e da vulnerabilidade social. É a opção compatível com o cuidado em rede e sem coerção.
D
Errada
Está errada porque desloca para a paciente a responsabilidade principal pela adesão, apesar das barreiras de acesso e da violência relatadas, e não estrutura uma rede intersetorial concreta. O encaminhamento ao alto risco, isoladamente, não assegura acompanhamento contínuo e eficaz.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tratar intersetorialidade como substituição da APS ou como simples encaminhamento especializado; o correto era manter a UBS como eixo da rede, somando assistência social, sociedade civil e referência obstétrica.
Dica para questões semelhantes
  • Em situação de rua, procure a alternativa que mantenha vínculo territorial com a UBS/APS e coordenação do cuidado pela atenção básica.
  • Se o enunciado trouxer barreiras sociais relevantes, a resposta adequada deve articular assistência social e rede de suporte no território, não responsabilizar isoladamente o paciente.
  • Encaminhamento especializado só completa a resposta quando vem associado a continuidade pela APS e suporte intersetorial.
  • Medidas coercitivas baseadas em presunções, especialmente para 'garantir adesão', tendem a contrariar a lógica de cuidado em rede cobrada nesse tipo de questão.

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