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Q861007 Medicina Legal

Em 28 de Fevereiro de 2017, o Instituto Médico Legal de Curitiba recebeu 6 corpos, vítimas de um acidente de trânsito, que estavam no mesmo veículo. Segundo informações da polícia e da perícia de local de crime, eram todas da mesma família: mãe (42 anos), pai (42 anos), 3 filhos: um menino (20 anos) e duas meninas (16 e 12 anos, respectivamente), e o irmão do pai (25 anos). O médico legista conseguiu fazer a identificação, usando métodos antropológicos, exames odontológicos e impressão digital, apenas do pai e das duas filhas. Os outros 3 corpos estavam carbonizados e amostras de tecidos tiveram que ser enviadas para o laboratório de DNA, não tendo sido possível identificar nem o sexo das vítimas. Amostras dos três indivíduos previamente identificados também foram enviadas para o laboratório de DNA para servirem de referência.


A partir do fato acima relatado, assinale a alternativa correta:

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A questão avalia os conhecimentos do candidato em genética forense.

A) ERRADO. O cromossomo Y é exclusivo de indivíduos do sexo masculino. Assim, não é possível a análise de marcadores do cromossomo Y em amostras femininas.

B) ERRADO. O DNA mitocondrial tem herança exclusivamente materna, ou seja, todos os filhos da mesma mãe receberão o mesmo tipo de DNA mitocondrial, desconsiderando-se mutações aleatórias. Assim, espera-se que o DNA mitocondrial de irmãos biológicos seja idêntico, então seria possível, sim, identificar o irmão usando as irmãs como referência, pois eles teriam o mesmo perfil de DNA mitocondrial.

C) ERRADO. A carbonização degrada o DNA mas ainda é possível obter amostras viáveis de tecidos mais protegidos, por exemplo dentro de ossos ou dentes. Assim, ainda é possível a identificação dos corpos por meio da análise de DNA.

D) CERTO. Recomenda-se a utilização de 13 ou mais marcadores do tipo STR para se obter um perfil genético confiável e bom alto poder de discriminação. Por meio do perfil do pai e das filhas seria possível identificar por exclusão qual o perfil da mãe, uma vez que cada metade do material genético dos filhos vem, obrigatoriamente, de cada um dos pais. Tendo o perfil da mãe, seria possível cruzar o perfil dos pais com o dos filhos.

Gabarito do professor: Alternativa D.

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Comentários

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A questão avalia os conhecimentos do candidato em genética forense.

A) ERRADO. O cromossomo Y é exclusivo de indivíduos do sexo masculino. Assim, não é possível a análise de marcadores do cromossomo Y em amostras femininas.

B) ERRADO. O DNA mitocondrial tem herança exclusivamente materna, ou seja, todos os filhos da mesma mãe receberão o mesmo tipo de DNA mitocondrial, desconsiderando-se mutações aleatórias. Assim, espera-se que o DNA mitocondrial de irmãos biológicos seja idêntico, então seria possível, sim, identificar o irmão usando as irmãs como referência, pois eles teriam o mesmo perfil de DNA mitocondrial.

C) ERRADO. A carbonização degrada o DNA mas ainda é possível obter amostras viáveis de tecidos mais protegidos, por exemplo dentro de ossos ou dentes. Assim, ainda é possível a identificação dos corpos por meio da análise de DNA.

D) CERTO. Recomenda-se a utilização de 13 ou mais marcadores do tipo STR para se obter um perfil genético confiável e bom alto poder de discriminação. Por meio do perfil do pai e das filhas seria possível identificar por exclusão qual o perfil da mãe, uma vez que cada metade do material genético dos filhos vem, obrigatoriamente, de cada um dos pais. Tendo o perfil da mãe, seria possível cruzar o perfil dos pais com o dos filhos.

Gabarito do professor: Alternativa D.

E por exclusão determinar o irmão do pai.

A letra B está errada apenas pelo motivo que justifica o não ser possível diferenciar o irmão, POIS de fato NÃO É POSSÍVEL identificar o irmão com o mtDNA apenas, deixando a alternativa B correta SE a parte final do "UMA VEZ QUE" não fosse uma justificativa errada de não ser possível identificar o irmão.

Porque realmente NÃO É POSSÍVEL IDENTIFICAR O IRMÃO COM A ANÁLISE DO mtDNA das irmãs, pois todos os filhos têm o mesmo mtDNA herdado da mãe, e entre os indeterminados temos a Mãe, o irmão (que é filho dela) e o Tio desse irmão.

Desse modo, a mãe e seu filho possuem mtDNA iguais não podendo ser diferenciados, o que deixaria a letra B CORRETA, MAS o "uma vez que" da questão justifica que não seria possível porque "o mesmo seria do sexo masculino" e não e por isso!

O motivo é que tem 2 pessoas com mesmo mtDNA nos identificados (o irmão e sua mãe). SE HOUVESSE APENAS "O IRMÃO" e "O TIO" poderia identificar mesmo o garoto sendo do sexo masculino, pois tbm tem o mtDNA da irmã e o seu tio não. PORÉM, como temos a mãe o garoto, ficaria em dúvida entre esses dois, o que aconteceria seria que diminuiria o universo de 3 para dois entre saber quem era o garoto, mas de fato não conseguiríamos indentificá-lo, o que deixaria a B correta, mas a alternativa reduz esse NÃO É POSSÍVEL apenas para o fato de que ele é do sexo masculino.

VEJAMOS EM ETAPAS O MEU RACIOCÍNIO:

1 - A limitação real do mtDNA no caso: O DNA mitocondrial não individualiza membros da mesma linhagem matrilinear. Como estão sem identificação a Mãe e o Filho (e ambos compartilham exatamente o mesmo mtDNA das filhas), a análise isolada de mtDNA deixaria os dois empatados/indeterminados.

2 - O falso impedimento alegado pela banca: A alternativa tentou validar essa impossibilidade usando como causa o fato de ele "ser do sexo masculino".

3 - O teste da premissa: Se os corpos restantes fossem apenas o Filho e o Tio, o mtDNA das irmãs identificaria com certeza absoluta o irmão (por exclusão do tio paterno), mesmo o irmão sendo homem — provando de forma cabal que o sexo masculino nunca foi o fator impeditivo.

O erro da assertiva B está única e exclusivamente na falsa justificativa biológica de causalidade colocada após o "uma vez que".

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