Hoje, não as aplicar é que soa absurdo. (1º parágrafo) Ma...
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Ano: 2026
Banca:
IBAM
Órgão:
Prefeitura de Saquarema - RJ
Prova:
IBAM - 2026 - Prefeitura de Saquarema - RJ - Professor Docente 1 |
Q4301946
Pedagogia
Texto associado
Texto: ESCOLA SEM CELULAR E O QUE MAIS?
Guardadas as devidas proporções, a
abolição do celular na escola lembra o fim do
cigarro em ambientes fechados e a obrigatoriedade
do uso do cinto de segurança nos carros. Ambas
causaram estardalhaço, pareciam impossíveis de
implementar. Hoje, não as aplicar é que soa
absurdo.
Como as pessoas fumavam dentro do
claustrofóbico espaço de um avião, empesteando o
ar no qual se fica confinado durante horas? E o
fumante passivo que trabalha ou circula em bares e
restaurantes? Ou, ainda, como alguém podia ser contra um acessório que salva a vida de milhões de
pessoas em acidentes de carro todos os anos?
Para os fumantes, no entanto, a ideia de ter
seu prazer restringido foi brutal, e aí reside uma
boa reflexão sobre a experiência de privar as
crianças de seus celulares na escola. Também elas
se encontram viciadas no produto com a maior
capacidade de recompensa cerebral de que se tem
notícia, comparável às drogas a que os pais tanto
temem que seus filhos tenham acesso. A diferença
é que são os próprios pais que fornecem o produto.
Crises de abstinência que decorrem da
retirada dos celulares estão registradas em vídeos
– e são assustadoras e deprimentes. Ao contrário
do tabaco, ao assumirmos a proibição, não estaremos apenas preservando a saúde física das
crianças, mas também a própria formação de sua
personalidade, o desenvolvimento de sua
inteligência, a sociabilidade, a sexualidade, a
autoimagem, a saúde mental e uma lista de
capacidades psicossociais que pesquisadores
provaram serem diretamente afetadas pelo uso do
aparelho.
A lei dá a chancela que faltava aos pais e
aos educadores para bancarem coletivamente o
que individualmente não conseguiam bancar. Em
parte, porque impor limites tem se tornado cada vez
mais desafiador, diante dos imperativos de
performance e felicidade aos quais adultos têm se
rendido e têm imposto às instituições de ensino.
Pais passaram a acreditar que fazia parte
de suas funções monitorar a vida dos filhos dentro
e fora do espaço escolar. Professores tentando se
adaptar às novas exigências e permanecer
relevantes, diante da sedução desleal das redes,
procuraram usar as mídias a seu favor, incluindo-as
no dia a dia escolar. Afinal, trata-se de uma
ferramenta espetacular que, se não fosse feita
exclusivamente para venda de produtos, seria um
recurso inestimável. Mas não há mais ingenuidade
possível diante do aumento das depressões,
automutilações, rebaixamento de QI, acesso
irrestrito à pornografia e violência, distorção da
autoimagem, evitação social e outras mazelas que
já foram mapeadas pelos estudos.
É de se esperar choro e ranger de dentes
durante o processo de reversão de parte do estrago
que foi impingido a essa geração nos últimos vinte
anos. Nesse caso, não se trata só das crianças,
mas também dos adultos responsáveis por elas,
que sequer podem contar com uma lei de
regulamentação de uso que os ajudaria a lidar com
a cooptação nas redes. Teremos trabalho nesse
começo, mas motivados pelo desejo de que a
época na qual se podia entrar na escola com o
celular seja reconhecida como absurda. Resta a
esperança de que a experiência diária das crianças,
menos oprimidas por esse vício, inspire adultos a
se livrarem dele dentro de casa e nos espaços de
interação social.
VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 18/11/2024.
Hoje, não as aplicar é que soa absurdo. (1º
parágrafo)
Mantendo coesão com a frase citada, as frases interrogativas presentes no 2º parágrafo são um recurso de:
Mantendo coesão com a frase citada, as frases interrogativas presentes no 2º parágrafo são um recurso de: