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Q1091228 Medicina
Um paciente de 67 anos apresentou quadro de hemorragia varicosa autolimitado e foi encaminhado para investigação. No exame clínico, apresentava-se assintomático, anictérico e sem sinais de ascite. Foi realizada tomografia computadorizada que identificou uma tumoração de 6 cm no segmento IV e outra de 4 cm localizada no segmento III, com características radiológicas compatíveis com carcinoma hepatocelular. Os exames laboratoriais realizados mostram INR 1,1, albumina sérica de 2,7 g/dl e bilirrubina total de 1,9 mg/dl. Segundo a classificação BCLC (Barcelona-Clinic Liver Cancer) qual o tratamento indicado?
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Tema central: O caso traz um paciente com carcinoma hepatocelular (CHC), múltiplas lesões (>1), sem sintomas severos, sem ascite, anictérico, porém com função hepática preservada (INR 1,1). O objetivo é aplicar a classificação BCLC (Barcelona Clinic Liver Cancer) para definir a conduta terapêutica ideal.

Comentário da alternativa correta (C – Quimioembolização transarterial hepática): De acordo com o protocolo oficial "Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Carcinoma Hepatocelular no Adulto", pacientes classificados como BCLC B (intermediário) – ou seja, com múltiplas lesões hepáticas, sem disfunção hepática grave – têm como tratamento de escolha a TACE (quimioembolização transarterial hepática). Conforme o documento citado: “Para pacientes no estágio BCLC B (intermediário), a quimioembolização transarterial hepática (TACE) é o tratamento recomendado.” A TACE alia quimioterapia local ao bloqueio do sangue arterial do tumor, sendo eficaz para o controle de doença nesse perfil clínico (Jornal Vascular Brasileiro). Exemplo prático: um paciente como o do enunciado, sem invasão vascular ou metástase, é tipicamente beneficiado por TACE.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Hepatectomia esquerda: Ressecção é opção para tumores únicos e com total preservação da função hepática. Duas lesões volumosas e albumina reduzida inviabilizam a cirurgia, pois há alto risco de insuficiência hepática pós-operatória.

B) Quimioterapia: A quimioterapia sistêmica tem eficácia limitada no CHC e não é recomendada no estágio intermediário segundo protocolos atuais.

D) Sorafenib: O uso do sorafenibe é restrito ao BCLC C (estágio avançado), ou seja, pacientes com invasão vascular/macrometástases. Não indicado para o perfil clínico do caso.

E) Enucleação das lesões: Não é abordagem padrão para CHC; não há respaldo em diretrizes para essa conduta, ainda mais em múltiplas lesões.

Estratégia para provas: Atenção ao número e localização das lesões, à função hepática e ausência de sintomas graves. O reconhecimento correto do estágio BCLC é decisivo! Pegadinha clássica: confundir critérios de ressecção cirúrgica com indicação de terapias locorregionais.

Referência: Ministério da Saúde – "Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Carcinoma Hepatocelular no Adulto", seção de tratamento conforme BCLC.

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De acordo com a classificação BCLC (Barcelona-Clinic Liver Cancer), o tratamento indicado para o caso apresentado é a quimioembolização transarterial hepática, que consiste na administração de quimioterapia diretamente no tumor através de um cateter inserido na artéria hepática, seguida pelo bloqueio da artéria para impedir o fluxo sanguíneo para o tumor. Essa opção de tratamento é indicada para pacientes com carcinoma hepatocelular em estágio intermediário (BCLC B), como é o caso do paciente descrito, que apresenta tumores em dois segmentos do fígado, sem sintomas graves ou sinais de cirrose avançada. A quimioembolização transarterial hepática apresenta bons resultados em termos de controle tumoral e aumento da sobrevida em pacientes com carcinoma hepatocelular em estágio intermediário e é considerada uma opção segura e eficaz para esses casos.

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