Uma mulher de 64 anos, pesando 60 kg, sem comorbidades prévi...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4109732 Medicina
Uma mulher de 64 anos, pesando 60 kg, sem comorbidades prévias, é admitida à sala de emergência com febre de 38,7 ºC, dor lombar direita e disúria há 3 dias. Na entrada, apresentava FC = 120 bpm, FR = 28 irpm, PA=74x40 mmHg. Após coleta de exames, introdução de ceftriaxona e administração de 2 litros de Ringer Lactato, a paciente segue com PA de 78 x 44 mmHg. Exames laboratoriais iniciais revelam leucocitose de 18.000/μL (VR: 4.000 – 11.000/μL) e creatinina de 2,6 mg/dL (VR: 0,6 – 1,2 mg/dL). Assinale a alternativa que apresenta uma das condutas apropriadas para esse momento.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o controle precoce do foco em urossepse: febre, disúria e dor lombar sugerem pielonefrite, e a hipotensão persistente com creatinina de 2,6 mg/dL reforça a suspeita de infecção urinária alta grave possivelmente obstrutiva; por isso, a conduta apropriada nesse momento é investigar obstrução urinária imediatamente, e a ultrassonografia à beira-leito é o exame adequado para isso.

Tema central: Urossepse com obstrução
Análise das alternativas
A
Errada
Hidrocortisona pode ter papel adjuvante em choque séptico refratário, mas não é a intervenção decisiva neste cenário. O problema médico específico aqui é a possibilidade de foco urinário obstrutivo, que corticoide não identifica nem corrige. Além disso, corticoide não antecede o manejo hemodinâmico padrão nem substitui controle de foco.
B
Errada
A alternativa é inadequada por dois motivos concretos: em choque séptico persistente após fluidos, vasopressor não deve ficar condicionado à transferência para UTI, e a opção ignora o ponto distintivo do caso, que é a necessidade de investigar obstrução urinária como causa controlável imediata. Ela até contém elementos plausíveis do manejo do choque, mas falha ao postergar droga vasoativa e ao omitir o foco obstrutivo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque, em choque séptico de provável foco urinário com disfunção renal, é obrigatório considerar trato urinário obstruído infectado como foco controlável. A ultrassonografia à beira-leito é um método rápido e viável na emergência para pesquisar hidronefrose/obstrução, achado que muda a conduta ao apontar necessidade de desobstrução e controle do foco. O ponto decisivo não é apenas manter antibiótico e volume, mas reconhecer se há pielonefrite obstrutiva.
D
Errada
A gravidade hemodinâmica isoladamente não impõe ampliação automática para meropenem. Pelo enunciado, não há informação de perfil de risco microbiológico que justifique carbapenêmico de imediato. O dado que mais muda conduta neste momento é a possibilidade de obstrução urinária infectada, situação em que antibiótico isolado pode falhar sem drenagem; portanto, escalonar antimicrobiano não responde ao problema decisivo da questão.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de focar apenas no choque refratário e escolher vasopressor ou corticoide, quando o diferencial do caso é o princípio de controle de foco na urossepse: dor lombar, disúria e creatinina elevada obrigam a pensar em obstrução urinária.
Dica para questões semelhantes
  • Em sepse de foco urinário com dor lombar e disfunção renal, sempre procure se o caso sugere obstrução do trato urinário.
  • Se houver possibilidade de sistema urinário obstruído infectado, antibiótico isolado não resolve o problema central sem controle do foco.
  • Em paciente instável, ultrassonografia à beira-leito ganha valor quando pode detectar achado que muda conduta imediatamente.
  • Nem toda instabilidade após antibiótico e volume significa necessidade automática de ampliar antimicrobiano; primeiro veja se há foco complicador drenável.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo