Em relação à anestesia no alívio da dor cirúrgica pós-opera...

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Q3190347 Medicina
 Em relação à anestesia no alívio da dor cirúrgica pós-operatória, assinale a alternativa correta.
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Tema central: analgesia pós-operatória em anestesiologia. Envolve avaliação adequada da dor, escolha de técnicas (multimodal, regional e neuraxial) e vigilância de efeitos adversos, especialmente dos opioides.

Alternativa correta: D – Opioides administrados por via epidural ou subaracnoidea (p.ex., morfina) podem causar prurido e depressão respiratória (inclusive tardia pela migração rostral no líquor). Esses eventos respondem a naloxona, frequentemente em infusão contínua de baixa dose para reverter efeito μ sem abolir totalmente a analgesia. Requerem monitorização de sedação, FR e SpO₂ nas primeiras horas. Fontes: ASA Practice Guidelines for Acute Pain Management; UpToDate; Miller’s Anesthesia.

Por que as demais estão incorretas?

A – Afirmar que analgésicos precipitam hipertensão por vasoconstrição ou histamina é conceitualmente errado. Opioides (morfina, meperidina) liberam histamina e tendem a vasodilatar e até reduzir PA; a analgesia, ao atenuar a resposta simpática à dor, geralmente baixa a pressão. Exceções como cetamina (aumenta PA/FC) não são típicas do grupo “analgésicos” utilizados para dor pós-operatória isoladamente. Fontes: Barash; Miller.

B – Sinais como diaforese, náuseas e vômitos não são as formas mais confiáveis para diagnosticar dor “independentemente” do relato do paciente. Em adultos lúcidos, o padrão-ouro é a autoavaliação (EVA, EN – escala numérica). Sinais autonômicos são inespecíficos e podem decorrer de hipovolemia, ansiedade, hipoxemia etc. Diretrizes ASA/ERAS reforçam o uso de escalas validadas.

C – Bloqueios regionais de longa ação reduzem dor e o tônus simpático e, tipicamente, melhoram a ventilação (menos dor toracoabdominal, respiração mais profunda), diminuindo complicações pulmonares. Não “pioram a ventilação” de forma geral. Apenas níveis neuraxiais muito altos ou bloqueios específicos (ex.: interscalênico com paresia frênica) podem comprometer a mecânica respiratória. Fontes: ASA; UpToDate; Miller.

E – A analgesia caudal é amplamente recomendada em pediatria para procedimentos inguinais/genitais infraumbilicais (herniorrafia, orquidopexia, circuncisão), com eficácia superior à infiltração isolada e redução de opioides. Dizer que “não é recomendada” por ineficácia é falso. Fontes: SBA/SBP (anestesia regional pediátrica), Cochrane, UpToDate.

Estratégia de prova: desconfie de termos absolutos como “independentemente” e “não é recomendada”. Lembre efeitos clássicos dos opioides neuraxiais (prurido, retenção urinária, depressão respiratória) e o antagonismo com naloxona. Em pacientes comunicativos, privilegie escalas de dor sobre sinais autonômicos.

Referências sucintas: ASA Practice Guidelines for Acute Pain Management; ERAS Society; UpToDate (Neuraxial opioid analgesia; Postoperative pain control); Miller’s Anesthesia; Barash Clinical Anesthesia; SBA/SBP – analgesia regional pediátrica.

Gabarito: D.

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