“Não lembro bem para o que, mas faz bem"; essa frase do text...
Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
(Luiz Fernando Veríssimo)
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Tema central: Trata-se de uma questão de interpretação de texto aliada à compreensão de regência verbal e ao sentido de conectivos em frases, avaliando se a reescrita de uma construção altera o significado original do trecho dado.
Análise do trecho original: “Não lembro bem para o que, mas faz bem.”
O autor expressa que não recorda o motivo ou finalidade de certo hábito (no caso, tomar cerveja), mas ainda assim acredita que faz bem.
Justificativa da alternativa correta (E):
“Não lembro bem para o que faz bem.”
Essa redação altera o sentido original porque sugere que o autor não sabe para que a ação faz bem, isto é, não conhece o beneficiado pelo efeito benéfico. Perde-se a ideia original de não saber para que serve a coisa em si, mas acreditar que faz bem. É uma inversão sutil, porém perceptível na semântica e na regência verbal (o objeto da dúvida passa a ser a finalidade do fazer bem, não o motivo da ingestão).
Análise detalhada das alternativas incorretas:
- A – “Faz bem, apesar de eu não lembrar bem para o quê;”: Mantém a relação entre não se lembrar da finalidade, mas reconhecer o benefício. Preserva o sentido.
- B – “Ainda que eu não lembre bem para o quê, faz bem;”: Mesmo raciocínio, ressalta a dúvida sobre a finalidade, sem modificar a essência da mensagem.
- C – “Não lembro bem para o quê; faz, porém, bem;”: Mantém os elementos originais, separando-os explicitamente, mas sem alterar o objetivo do autor.
- D – “Não lembro bem para o quê, malgrado faça bem;”: Usa um conectivo mais formal (“malgrado” = embora), mas preserva a relação de adversidade entre não saber a finalidade e admitir o benefício.
Estratégia: Perceba como a estrutura de regência (“lembrar bem para o quê” x “para o que faz bem”) pode inverter o sentido contextual. Atenção a modificações sutis de ordem e função sintática.
Referências normativas: De acordo com Bechara (Gramática Escolar da Língua Portuguesa) e o Manual de Redação da Presidência da República, mantém-se a regência pronominal e o objeto da dúvida para não alterar o sentido.
Em resumo: A alternativa E está correta por alterar o núcleo do sentido, deslocando a dúvida para o beneficado do “fazer bem”. Todas as demais mantêm a ideia do texto.
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Comentários
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" Traduzindo a alternativa E " não lembro se isso faz bem", o restante das alternativa diz que "faz bem só não sabe para o quê", alternativa E é a resposta.
Gabarito: E.
Única assertiva que não há afirmação do bem gerado pela ação em comento ("faz bem", "faça bem"), alterando, de tal modo, o sentido da oração inicial ao deixá-la incompleta.
Malgrado 1-preposição acidental.apesar de ;não constante; nada obstante; sem embardo de; a despeito
2-conjunção subordinativa concessiva, embora; conquanto;posto; suposto.
http://www.dicionarioinformal.com.br/malgrado/
De A até D estão presentes conectivos que indicam principalmente uma ressalva, oposição, contraste (conjunção adversativa e concessiva); já na E, o conectivo dá ideia de fim/objetivo (conjunção final).
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