Os segmentos que compõem o 9º, 10º e 11º parágrafos constitu...
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Gabarito comentado
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Tema central da questão: Interpretação de texto, focado na função narrativa e na estrutura composicional do texto — especificamente, o papel de uma digressão dentro da crônica de Fernando Sabino.
Justificativa para a alternativa correta (C):
Nos parágrafos destacados, o cronista insere uma digressão sobre o marinheiro dinamarquês, afastando-se momentaneamente da história da “lua quadrada”. Essa técnica, muito comum em crônicas (como indica Bechara, em Moderna Gramática Portuguesa), consiste em interromper o enredo principal para inserir reflexão, exemplos ou histórias paralelas. Tal digressão serve para preparar o leitor: ao apresentar um caso em que algo prosaico foi interpretado como milagroso, Sabino convida o leitor a desconfiar da própria percepção do narrador. É, portanto, uma interrupção da narrativa que antecipa a revelação final e aproxima o leitor do desfecho.
Análise das alternativas incorretas:
A) Fala em ausência de organização lógica. Incorreta, pois a digressão é cuidadosamente inserida para o propósito de construir sentido e relação com o tema.
B) Afirma que se explicam ações impensadas. Errada: não se trata de justificar atitudes, e sim de trabalhar a ideia de ilusão e percepção.
D) Relaciona-se a um desvio de atenção por causa e efeito. Equivocada: o texto não visa distrair, mas sim agregar profundidade e sentido ao enredo.
Estratégias de leitura e pegadinhas:
Observe sempre mudanças bruscas no foco narrativo (como histórias dentro da história), pois frequentemente indicam digressões com função estratégica — preparando o “terreno” para revelações.
Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra (em Nova Gramática do Português Contemporâneo), parágrafos digressivos são essenciais para a progressão temática, enriquecendo a argumentação e esclarecendo sentidos ao leitor.
Resumo: A alternativa C é a correta, pois identifica a função exata da digressão: interromper a narrativa principal e preparar o leitor para o desfecho, estabelecendo paralelos com o tema central.
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GABARITO: LETRA C
? 9º: Lembro-me de uma história ? história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa ? ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
? 10º: ? O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado ? explicou o carioca.
? 11º: Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
? Observa-se, claramente, uma interrupção do que foi contado anteriormente com o intuito de preparar o desfecho narrativo.
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? FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
A alternativa correta é a C) interrupção da narrativa da qual o cronista lança mão para preparar o leitor para o desfecho do texto.
Análise dos parágrafos 9, 10 e 11:
Nesses parágrafos, Fernando Sabino insere uma história dentro da história. Ele narra a experiência do marinheiro dinamarquês que confunde a estátua do Cristo Redentor com uma aparição divina, o que o leva a uma conversão religiosa. Posteriormente, a "verdade" sobre o que ele viu é revelada, mas o cronista pondera que, mesmo sendo um engano, a crença construída sobre esse equívoco se torna um milagre em si.
Essa digressão não é aleatória. Ela serve como um paralelo para a própria experiência do cronista com a "lua quadrada".
- Interrupção da narrativa: Sim, a história do marinheiro interrompe o fluxo da narrativa principal sobre a lua quadrada de Londres.
- Preparo para o desfecho: Ao apresentar a ideia de que um engano pode se transformar em um "milagre" ou uma verdade pessoal, o cronista está sutilmente preparando o leitor para a revelação de que a "lua quadrada" também tinha uma explicação prosaica, mas que, em sua experiência, ela manteve seu caráter "milagroso" e simbólico. Ele valida a ideia de que a percepção individual e a crença podem dar significado a algo que, objetivamente, é diferente.
As outras alternativas não se encaixam:
- A) estratégia argumentativa, sem organização lógica, de toda a história até então contada. Há uma organização lógica, sim. A história do marinheiro é um analogia.
- B) explicação da ação narrada ao longo do texto para justificar as atitudes impensadas do cronista. Não é uma explicação direta das atitudes, mas uma contextualização temática sobre a natureza da percepção e da "verdade".
- D) estratégia argumentativa que estabelece relação de causa e efeito com o intuito de desviar a atenção do leitor. Não busca desviar a atenção, mas sim aprofundar a reflexão sobre a experiência pessoal do narrador e a subjetividade da realidade.
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