Nesse gênero textual, há uso recorrente do recurso discursi...
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Ano: 2026
Banca:
Instituto Legatus
Órgão:
Prefeitura de São Pedro do Piauí - PI
Prova:
Instituto Legatus - 2026 - Prefeitura de São Pedro do Piauí - PI - Agente Comunitário de Saúde |
Q4419004
Português
Texto associado
Texto 1 - De volta à Lua, contemplamos uma Terra em
risco
Nasci em 1957, ano do Sputnik, primeiro
satélite artificial lançado pela então União Soviética,
dando início à corrida espacial.
Cresci viajando para Ubatuba, quando quase
tudo lá era mato. Conheci a maioria das praias de
ônibus e a pé, por trilhas e pinguelas. Só em 1965 meus
pais compraram o primeiro carro, um Fusca 1959.
Foi em Ubatuba que vi, ou tentei ver, o pouso
da Apollo 11 na Lua, nas férias de julho de 1969. A TV
em branco e preto do vizinho era pequena e só
chuvisco, e mais imaginei do que enxerguei quando Neil
Armstrong deu o pequeno passo para um homem e
um salto gigante para a humanidade. Meio às cegas,
acreditei. Tornei-me entusiasta da ciência e da
tecnologia, mas também amante da natureza, em
contato com a Mata Atlântica que se atira da serra ao
oceano.
Queria ser astronauta, depois médico, biólogo
—acabei jornalista. Entrei na Folha de São Paulo como
redator em 1986, ano do cometa Halley e de duas
tragédias, a do ônibus espacial Challenger e a da usina
nuclear soviética Chernobyl.
Escrever sobre ciência e tecnologia foi escolha
natural, com foco em biologia. O ano de 1988 trouxe o
assassinato do seringueiro Chico Mendes e manchetes
no mundo todo sobre queimadas que podiam ser
flagradas por satélites herdeiros do Sputnik.
Aprendi com Antonio Donato Nobre que era
balela a história de uma Amazônia pulmão verde da
Terra. Mas, também, que o carbono nela estocado
agravaria o efeito estufa se a destruição continuasse
galopando e sua biomassa virasse fumaça.
Gato escaldado, após 38 anos e quase 500 mil
quilômetros quadrados de floresta derrubados,
desacelerei a produção de reportagens
sobre desmatamento e mudança climática. Ainda
abordo o tema em colunas, mas já sem a ilusão de que
eventos mastodônticos à moda da COP30 possam
reverter a crise do clima.
A humanidade, ou melhor, países e populações
pobres enfrentam e enfrentarão tempos bicudos. Não
posso deixar de pensar nisso ao ler notícias sobre o
sobrevoo da Lua pela Artemis 2 e ao ver as lindas fotos
que os astronautas enviam do céu.
Espero que os tripulantes, incólumes, deem
muitas palestras e sirvam de exemplos para crianças e
jovens se entusiasmarem com ciência, como há 57 anos. Se as tecnologias dela derivadas estão a castigar
o planeta, será também crucial investigação metódica
responsável para tirarmos o pé do lodo climático.
Faço minhas as palavras ressabiadas de
Gilberto Gil em 1967, na canção "Lunik 9", sonda
soviética que rondou a Lua: "Lá se foi [o homem]
buscando a esperança que aqui já se foi / Nos jornais,
manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão:/
A Lua foi alcançada afinal, muito bem / Confesso que
estou contente também".
Texto de Marcelo Leite (adaptado)12.abr.2026. Disponível em
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2026/04/-
acesso em 12 de abril de 2026.
Nesse gênero textual, há uso recorrente do recurso
discursivo de subjetividade. Essa subjetividade cumpre
o efeito de sentido de