Considerando os diferentes mecanismos de ação de protozoár...
Gabarito comentado
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Tema central: mecanismos de patogenicidade de protozoários humanos – ou seja, qual célula/tecido o parasita infecta, onde se replica e como isso produz sinais e sintomas.
Alternativa correta: B
Plasmodium spp. invade eritrócitos, realiza esquizogonia intracelular e, ao fim do ciclo, promove ruptura cíclica das hemácias, liberando merozoítos que reinfectam novos eritrócitos. Isso explica a febre periódica (paroxismos sincronizados), a anemia hemolítica, icterícia e esplenomegalia. Esse é o marcador fisiopatológico mais característico da malária, descrito em Harrison’s e nas Diretrizes da OMS para malária.
Por que as demais estão incorretas?
A) Trypanosoma cruzi realmente é intracelular (forma amastigota) e lesiona sobretudo músculo cardíaco e fibras musculares lisas. Porém, a alternativa erra ao destacar “neurônios” como alvo principal e “manifestações neurológicas” como consequência típica. Na Doença de Chagas, o dano neurológico central não é o quadro dominante; as formas crônicas clássicas são cardíaca e digestiva (megacólon/megaesôfago por destruição do plexo mioentérico), mais por inflamação crônica do que por lise direta de neurônios. Assim, há imprecisão do alvo tecidual e das manifestações (Harrison’s; UpToDate).
C) Giardia lamblia (G. duodenalis) de fato adere à mucosa do intestino delgado com o disco ventral e causa má absorção e diarreia sem invasão tecidual. A falha é sutil: a alternativa diz “onde se multiplica”, sugerindo replicação “na mucosa”. A replicação por fissão binária ocorre no lúmen intestinal, enquanto o parasita apenas se fixa ao epitélio. Em provas, essa diferença lúmen vs. mucosa costuma ser cobrada (UpToDate).
D) Leishmania spp. é intracelular de macrófagos (forma amastigota), o que está correto. Contudo, a proposição afirma que provoca úlceras cutâneas e “ocasionalmente infecção visceral”, como se fosse uma progressão comum. Na prática, formas clínicas dependem da espécie (p.ex., L. donovani/L. infantum → visceral; L. braziliensis → cutâneo/mucoso). Não se trata apenas de “ocasional” disseminação de uma mesma espécie. Há ainda importante evasão imune pela sobrevivência no fagolisossomo. Assim, a alternativa conflui formas distintas e generaliza incorretamente (Harrison’s; OMS/PAHO Leishmaniose).
Estratégia de prova: identifique o alvo celular-chave e o padrão clínico típico: - Malária → hemácia + ruptura cíclica (febre periódica/anemia). - Chagas → miocárdio e trato digestivo. - Giardia → lúmen com adesão, sem invasão. - Leishmania → macrófagos, mas formas clínicas por espécie.
Referências essenciais: WHO Malaria Guidelines; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Giardiasis; Leishmaniasis).
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