“A febre é uma resposta fisiológica mediada por alterações ...
Paciente de 32 anos, previamente saudável, apresenta febre persistente há 18 dias, acompanhada de fadiga, sudorese noturna e perda de peso. Exames iniciais não revelaram infecção evidente. Durante a investigação, foram detectados níveis elevados de proteína C reativa e VHS, além de linfadenomegalia cervical.
Com base nesse quadro, assinale a alternativa que descreve corretamente a conduta e os mecanismos fisiológicos envolvidos na febre:
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Tema central: A questão aborda a fisiopatologia da febre, um conhecimento fundamental para a prática clínica em infectologia. É importante entender que a febre é resultado de um aumento do ponto de ajuste hipotalâmico, promovido por mediadores como a prostaglandina E2 (PGE2). O controle sintomático da febre pode ser necessário mesmo sem diagnóstico definitivo, especialmente para alívio e prevenção de complicações, sem mascarar sinais importantes da doença subjacente.
Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D está correta ao indicar que o aumento de prostaglandinas no SNC, particularmente a PGE2, é o principal responsável pela elevação do ponto de ajuste térmico no hipotálamo. Segundo o Harrison’s (2023, 21ª ed.) e o Formulário Terapêutico Nacional 2010, os antipiréticos atuam exatamente inibindo a síntese de PGE2, o que reduz o ponto de ajuste e, consequentemente, a temperatura corpórea. Esse mecanismo justifica o uso de antipiréticos mesmo antes do esclarecimento da etiologia da febre, valorizando o conforto e segurança do paciente sem atrasar a investigação diagnóstica.
Análise das alternativas incorretas:
A) Diz que a febre é mediada “exclusivamente” por citocinas e que dispensa investigação adicional. Errado: além das citocinas, PGE2 é protagonista na resposta febril, e febre de origem indeterminada exige investigação aprofundada.
B) Afirma que doenças inflamatórias raramente causam febre prolongada, o que é incorreto. Doenças autoimunes e inflamatórias são causas clássicas de febre de origem indeterminada.
C) Pressupõe que febre persistente sempre indica infecção bacteriana grave e que o tratamento empírico deve ser iniciado. Equívoco: a conduta deve ser guiada pela suspeita clínica e o risco do paciente; tratamento precoce e indiscriminado pode mascarar diagnósticos importantes.
E) Considera irrelevantes as alterações metabólicas da febre prolongada. Importante: tais alterações existem e impactam o manejo, principalmente em grupos de risco (crianças, idosos, crônicos).
Estratégia de prova e alerta ao candidato:
Procure palavras absolutas (“exclusivamente”, “sempre”, “irrelevantes”), pois elas costumam eliminar alternativas incorretas. Atenção aos conhecimentos práticos: em medicina, raramente há exclusividade de mecanismos e o manejo clínico deve ser individualizado.
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; Formulário Terapêutico Nacional 2010 (Seção: Analgésicos não-opioides).
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