“A dor abdominal aguda é um desafio diagnóstico que requer ...

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Q3155975 Medicina
“A dor abdominal aguda é um desafio diagnóstico que requer avaliação sistemática e identificação de sinais de alarme” (UpToDate, 2024). Sobre as características da dor abdominal, analise as alternativas e assinale a correta: 
Alternativas

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Tema central: avaliação da dor abdominal aguda pela sua qualidade, irradiação, localização e fatores de piora, distinguindo dor visceral (mal localizada, cólica) da dor somática/parietal (bem localizada, piora ao movimento). Referências: UpToDate 2024; Sabiston Textbook of Surgery.

Alternativa correta: BIrradiação para o ombro esquerdo sugere irritação diafragmática (sinal de Kehr), típica em hemoperitônio como na ruptura esplênica, rotura de gravidez ectópica ou lesão diafragmática. Mecanismo: fibras frênicas (C3–C5) referem a dor ao ombro. Clínica: dor no ombro agravada em decúbito, sinais de choque se hemorragia. Conduta em cenário real: US-FAST no trauma e TC com contraste em estáveis (UpToDate; ATLS).

Análise das incorretas

A. Incorreta. Dor em cólica é típica de obstrução de víscera oca (ex.: obstrução intestinal, cólica biliar, cólica ureteral) por contrações peristálticas contra um obstáculo, com caráter intermitente. Pancreatite cursa com dor contínua, intensa, epigástrica, podendo irradiar para dorso, não em cólica (UpToDate; Sabiston).

C. Incorreta. A localização ajuda, mas não dispensa exames. Em quadros agudos, a imagem é frequentemente decisiva: US para vesícula e ginecológico, TC para apendicite, diverticulite, isquemia; US-FAST no trauma. Diretrizes recomendam abordagem combinando história/exame + laboratório (hemograma, PCR, amilase/lipase, beta-hCG) + imagem conforme suspeita (UpToDate; ACR Appropriateness Criteria).

D. Incorreta. Dor em QID em mulheres não exclui causas ginecológicas. Podem simular apendicite: torção ovariana, gravidez ectópica, DIP, cisto ovariano roto. Estratégia: beta-hCG obrigatório em idade fértil e US pélvico transvaginal na avaliação inicial (UpToDate; diretrizes de emergência ginecológica).

E. Incorreta. Peritonite produz dor somática/parietal, bem localizada, agudizada por movimento, tosse, percussão e descompressão brusca (sinal de Blumberg). O paciente tende a permanecer imóvel. Não é “desconforto visceral difuso”. Exemplos: apendicite com peritonite localizada, perfuração de víscera (Harrison’s; Sabiston).

Dicas de prova e raciocínio clínico

• Associe cólica a obstrução de víscera oca; contínua a inflamação sólida (pancreatite).
Irradiação ao ombro = pensar em diafragma/hemoperitônio (Kehr).
��� Piora com movimento sugere peritônio parietal acometido.
• Em mulheres em idade fértil, sempre peça beta-hCG e avalie causas ginecológicas.
Imagem é parte do padrão-ouro na dor abdominal aguda; não se baseie apenas na topografia.

Referências: UpToDate (2024) Dor abdominal aguda em adultos; Sabiston Textbook of Surgery; Harrison’s Principles of Internal Medicine; ACR Appropriateness Criteria para imagem em dor abdominal.

Gabarito: B.

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