Chega para atendimento na Unidade Pronto Atendimento uma men...
Chega para atendimento na Unidade Pronto Atendimento uma menina de 12 anos com queixa de cefaleia e edema predominante há 4 dias na face e em membros inferiores. Quando questionada refere urina de coloração escura. Nega comorbidades. Ao exame clínico: PA 140/90. Edema bilateral simétrico. Solicitado exames laboratoriais: Ur 100mg/dL Cr 4mg/dL Hemograma Hb 9,8 Ht 30% Plaquetas 200mil Reticulócitos corrigidos 1%. Sumário de Urina: Proteínas ++ Hemácias +++. C3 e C4 diminuidos. Com base nos dados clínicos e laboratoriais avente a hipótese diagnóstica mais provável e qual método diagnóstico confirmatório seria utilizado.
Gabarito comentado
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Tema central: Esta questão aborda o diagnóstico sindrômico e etiológico das glomerulopatias em crianças e adolescentes, com foco em manifestações clínicas (edema, hematúria, hipertensão, alteração da função renal) e achados laboratoriais (proteinúria, consumo de complemento).
Justificativa para a alternativa correta (E) – Nefrite Lúpica. Biópsia renal.
A paciente apresenta edema, hipertensão arterial, urina escura, elevação de ureia/creatinina e ainda proteinúria e hematúria importantes. Ressaltam-se os níveis reduzidos de C3 e C4, em contexto de síndrome nefrítica, que sugerem atividade imunológica, típica do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES).
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Lúpus Eritematoso Sistêmico do Ministério da Saúde: “A biópsia renal é indicada para confirmar o diagnóstico e determinar a classe histológica da nefrite, orientando o tratamento adequado.” Isso é fundamental, pois a distinção histológica é determinante na conduta.
Análise das alternativas incorretas:
A) Glomerulonefrite Pós-Infecciosa: É comum em crianças, mas níveis de C4 permanecem normais na maioria dos casos; predomina a redução de C3. O quadro tende ainda a seguir curso menos arrastado e sem envolvimento sistêmico típico de lúpus.
B) Síndrome Hemolítico-Urêmica Atípica: Espera-se plausibilidade de anemia hemolítica microangiopática significativa, plaquetopenia e disfunção renal, além de achados como aumento dos reticulócitos e elementos típicos ao sangue periférico, o que não ocorre no caso.
C) Glomerulonefrite Membrano-Proliferativa: Pode apresentar consumo de complemento, mas é muito mais rara na faixa pediátrica e usualmente não se associa a manifestações sistêmicas como quadro clínico de LES.
D) Glomerulopatia Membranosa: Relação mais comum com síndrome nefrótica pura e ausência de consumo de complemento; o exame sugerido (antifosfolipase A2) não é prioritário no contexto apresentado.
Estratégias na interpretação: Identifique sinais de lesão renal aguda, síndrome nefrítica e atividade autoimune sistêmica (C3 e C4 baixos). Em pacientes jovens sem comorbidades, a associação desses achados com envolvimento sistêmico reforça hipótese de nefrite lúpica, confirmada pela biópsia.
Dica de prova: Atenção ao consumo conjunto de C3 e C4 em questões de glomerulonefrite! Essa é uma pista valiosa para diferenciar causas autoimunes (como lúpus) das infecciosas.
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