A ação de fármacos anti-inflamatórios não esteroidais (AINE...
Gabarito comentado
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Tema central: uso seguro de AINEs em cães e gatos. Esses fármacos inibem a ciclo-oxigenase (COX), reduzindo prostaglandinas, o que confere efeito analgésico, anti-inflamatório e antipirético, mas pode causar toxicidade gastrointestinal, renal e hepática devido ao papel fisiológico das prostaglandinas na perfusão renal e integridade da mucosa gástrica.
Gabarito: B – Definir dose e intervalo com base na espécie, peso e condição clínica, monitorando efeitos adversos. Essa é a conduta preconizada por guias como AAHA/AAFP Pain Management Guidelines, WSAVA Global Pain Council e ACVAA (consensos). Recomenda-se: dose em mg/kg específica do fármaco e da espécie (ex.: gatos têm menor capacidade de glucuronidação), considerar comorbidades (renal/hepática, desidratação), usar a menor dose eficaz, por menor tempo necessário, com monitoramento clínico e laboratorial (hemograma, ALT/ALP, ureia/creatinina, densidade urinária). Referências: Plumb’s Veterinary Drug Handbook; AAHA/AAFP 2015–2022; WSAVA.
Por que as outras estão erradas?
A – “Abster-se de avaliar função hepática e renal”. Inadequado. AINEs podem precipitar lesão renal aguda por redução de prostaglandinas renais e causar hepatopatia idiossincrática (p.ex., carprofeno). Diretrizes recomendam baseline e reavaliação em uso contínuo (AAHA/AAFP; WSAVA).
C – “Mesma dosagem para todo paciente >5 kg”. Errado. A dosagem é em mg/kg e espécie-dependente; além disso, o intervalo pode variar conforme o fármaco (meloxicam, firocoxib, robenacoxib). Ignorar exames prévios desconsidera risco de toxicidade.
D – “Uso indefinido sem monitoramento”. Incorreto. AINEs exigem reavaliações periódicas (ex.: 3–7 dias após início e depois intervalos definidos), vigilância de vômito, diarreia, melena, poliúria/polidipsia, letargia e controle laboratorial. Não combinar com outro AINE ou corticosteroide e respeitar período de washout ao trocar (geralmente 3–7 dias, conforme a meia-vida).
Estratégia para a prova: desconfie de termos absolutos como “sem monitoramento”, “indefinido” ou “mesma dosagem para todos”. Procure a alternativa que individualiza por espécie, peso e condição clínica e prevê monitorização.
Conduta prática resumida:
• Avaliar risco: histórico, hidratação, rim/fígado (ureia, creatinina, ALT/ALP, EAS).
• Escolher AINE adequado à espécie e condição; nunca associar com outro AINE/esteroide.
• Prescrever mg/kg, menor dose eficaz, menor tempo possível; orientar sinais de alarme.
• Reavaliar cedo e periodicamente; ajustar ou suspender se efeitos adversos.
• Considerar alternativas/adiuvantes: opioides, gabapentinoides, fisioterapia, controle de peso.
Fontes: AAHA/AAFP Pain Management Guidelines (2015, 2022); WSAVA Global Pain Council; ACVAA consensus on analgesics; Plumb’s Veterinary Drug Handbook; BSAVA Small Animal Formulary.
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