Sobre a colocação pronominal nas sentenças “alguém o botou l...

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Q3613398 Português

Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora. Talvez não fosse um menino de família, mas também não era um menino de rua. É assim que a gente divide. Menino de família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um menino de rua. Menino de rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão. (...)

Na verdade, não existem meninos de rua. Existem meninos na rua. E toda vez que um menino está na rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua. E por quê.

Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando dizemos "crianças abandonadas" subentendemos que foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora penalizados, circunscrevemos o problema ao âmbito familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à qual não pertencemos e com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência, enquanto tratamos, isso sim, de cuidar amorosamente de nossos próprios filhos, aqueles que nos pertencem.


(COLASANTI, Marina. A casa das palavras. São Paulo: Ática, 2002.) 

Sobre a colocação pronominal nas sentenças “alguém o botou lá”, “quem os põe na rua”, “aqueles que nos pertencem”, é correto afirmar que
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Tema central da questão: Colocação pronominal, que trata da posição dos pronomes oblíquos átonos (como “o”, “os”, “nos”) em relação ao verbo: antes (próclise), depois (ênclise) ou no meio do verbo (mesóclise). Esse é um tema recorrente em concursos, pois exige atenção às regras da norma-padrão.

Justificativa da alternativa correta (C): “apresentam palavras que atraem o pronome”. Em “quem os põe na rua” e “aqueles que nos pertencem”, o pronome vem antes do verbo por força de palavras atrativas:

  • Quem (pronome interrogativo)
  • Que (pronome relativo)

Segundo a gramática normativa (Bechara, Cunha & Cintra), pronomes relativos, interrogativos e indefinidos atraem o pronome, tornando a próclise obrigatória:

Exemplo: “quem os chama?”, “aqueles que nos ajudam”.

Em “alguém o botou lá”, não há palavra atrativa; logo, o pronome “o” vem após o verbo (ênclise), o que também segue a norma-padrão.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta. Não são registros populares, mas casos de emprego culto e normativo dos pronomes.

B) Incorreta. Só a oração “alguém o botou lá” é ênclise. As outras são próclise, exigidas pelas palavras atrativas.

D) Incorreta. A próclise não é facultativa nesses contextos: a presença de palavras atrativas obriga o uso do pronome antes do verbo; isso é regra da gramática normativa.

Estrategia para provas: Ao analisar a posição do pronome na frase, procure palavras como “quem”, “que”, advérbios e negativos próximos ao verbo – se houver, a próclise normalmente é obrigatória.

Referências: Bechara — Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra — Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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apresentam palavras que atraem o pronome. 

próclise

Palavras de sentido negativo

A presença de palavras com sentido negativo antes do verbo torna a próclise obrigatória. 

  • Não, nunca, jamais, ninguém, nada, nem, tampouco.
  • Exemplo: Nunca se esqueça de mim.
  • Exemplo: Nada o fez mudar de ideia. 

Advérbios

A maioria dos advérbios e das locuções adverbiais, quando não separados do verbo por vírgula, atrai a próclise. 

  • Aqui, sempre, hoje, já, agora, bem, mal.
  • Exemplo: Aqui se vive bem.
  • Exemplo: Sempre te amei.
  • Exemplo: Hoje me trouxeram doces

Conjunções subordinativas

As conjunções que iniciam orações subordinadas também atraem a próclise. 

  • Que, quando, conforme, embora, se, para que.
  • Exemplo: Espero que te tragam boas notícias.
  • Exemplo: Choramos quando nos vimos

Pronomes (relativos, indefinidos, interrogativos, demonstrativos) 

A presença de diversos tipos de pronomes antes do verbo obriga o uso da próclise. 

  • Relativos: que, quem, qual, cujo, onde.
  • Exemplo: A pessoa que nos salvou foi ela.
  • Indefinidos: alguém, ninguém, tudo, nada.
  • Exemplo: Tudo me incomoda nesse lugar.
  • Exemplo: Ninguém o apoia.
  • Interrogativos: quem, que, qual.
  • Exemplo: Quem te convidou? 

Frases exclamativas, optativas e interrogativas 

Em orações com entonação exclamativa, que exprimem desejo (optativas) ou que são interrogativas, a próclise é usada. 

  • Exemplo (exclamativa): Como se pode mentir tanto!
  • Exemplo (optativa): Deus o ajude!
  • Exemplo (interrogativa): Quem a convidou?

C

As sentenças exemplificam a próclise, onde o pronome surge antes do verbo devido a palavras atrativas. Em "alguém o botou", o pronome indefinido "alguém" atrai o termo. Em "quem os põe", o atrator é o pronome interrogativo "quem". Em "que nos pertencem", o pronome relativo "que" exige a posição. Na norma culta, esses termos tornam a próclise obrigatória, impedindo a ênclise. Memorize: pronomes relativos e indefinidos são "ímãs" de pronomes oblíquos.

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