Assinale a opção na qual o que possui função sintática difer...
O caso do mendigo
Os jornais anunciaram, entre indignados e jocosos, que um mendigo, preso pela polícia, possuía em seu poder valores que montavam à respeitável quantia de seis contos e pouco. Ouvi mesmo comentários cheios de raiva a tal respeito. O meu amigo X, que é o homem mais esmoler desta terra, declarou-me mesmo que não dará mais esmolas. E não foi só ele a indignar-se. Em casa de família de minhas relações, a dona da casa, senhora compassiva e boa, levou a tal ponto a sua indignação, que propunha confiscar o dinheiro ao cego que o ajuntou. Não sei bem o que fez a polícia com o cego. Creio que fez o que o Código e as leis mandam; e, como sei pouco das leis e dos códigos, não estou certo se ela praticou o alvitre lembrado pela dona da casa de que já falei. O negócio fez-me pensar e, por pensar, é que cheguei a conclusões diametralmente opostas à opinião geral. O mendigo não merece censuras, não deve ser perseguido, porque tem todas as justificativas a sua defesa. Não há razão para indignação, nem tampouco para perseguição legal ao pobre homem. Tem ele, em face dos costumes, direito ou não a esmolar? Vejam bem que eu não falo de leis; falo dos costumes. Não há quem não diga: sim. Embora a esmola tenha inimigos, e dos mais conspícuos, entre os quais, creio, está M. Bergeret, ela ainda continua a ser o único meio de manifestação da nossa bondade em face da miséria dos outros. Os séculos a consagraram; e, penso, dada a nossa defeituosa organização social, ela tem grandes justificativas. Mas não é bem disso que eu quero falar. A minha questão é que, em face dos costumes, o homem tinha direito de esmolar. Isto está fora de dúvida.
Schwarcz, Lilia Moritz. - Lima Barreto: triste visionário. São Paulo: Companhia das Letras, 2017 (adaptado)
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TEMA CENTRAL DA QUESTÃO: O foco está na função morfossintática da palavra "que", ou seja, identificar se "que" exerce função de conjunção subordinativa integrante ou de pronome relativo em cada alternativa, conforme exige a gramática normativa.
ALTERNATIVA CORRETA – C:
"Não estou certo se ela praticou o alvitre lembrado pela dona da casa de que já falei."
Nessa alternativa, “que” atua como pronome relativo: retoma o termo “dona da casa” e introduz uma oração subordinada adjetiva (“de que já falei”). Nesse contexto, “que” exerce função de objeto indireto do verbo “falei” (quem fala, fala de algo/alguém). Celso Cunha e Lindley Cintra explicitam (em Nova Gramática do Português Contemporâneo) que o pronome relativo retoma um termo anterior e faz parte da oração subordinada, exercendo função sintática.
ALTERNATIVAS INCORRETAS: ANÁLISE
A) “que” – Conjunção subordinativa integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Não exerce função sintática dentro da sua própria oração e apenas liga a oração à principal.
B) “que” – Mesma situação da anterior: conjunção subordinativa integrante, também introduzindo oração subordinada substantiva objetiva direta.
D) “que” – Novamente conjunção subordinativa integrante, com a mesma função das anteriores.
Em todos esses casos (A, B, D), “que” apenas liga a oração subordinada substantiva à oração principal, conforme explicam autores como Bechara em Moderna Gramática Portuguesa.
ESTRATÉGIA PARA ACERTAR QUESTÕES SEMELHANTES: Identifique se “que” retoma um termo (pronome relativo) ou apenas introduz uma informação necessária ao verbo da principal (conjunção integrante). Veja a preposição antes do “que”: por exemplo, “de que já falei”. Se houver preposição, geralmente é pronome relativo.
RESUMINDO: Apenas na alternativa C o “que” exerce função diferente (pronome relativo). Nas demais, é conjunção integrante. Isso exige atenção à análise da estrutura da frase e ao papel sintático do termo.
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Comentários
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A) “Os jornais anunciaram [...] que um mendigo, preso pela polícia...”
→ O “que” introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta (“que um mendigo, preso pela polícia...”) dependente do verbo anunciaram.
✅ Função: conjunção integrante.
B) “Declarou-me mesmo que não dará mais esmolas.”
→ Também introduz uma oração subordinada substantiva (objeto direto de declarou).
✅ Função: conjunção integrante.
C) “...a dona da casa de que já falei.”
→ Aqui, o “que” é precedido de preposição (de) e retoma o termo anterior (“a dona da casa”), introduzindo uma oração adjetiva.
✅ Função: pronome relativo.
D) “Vejam bem que eu não falo de leis.”
→ O “que” introduz uma oração subordinada substantiva (objeto direto de vejam).
✅ Função: conjunção integrante.
Conclusão:
O único caso em que o “que” não é conjunção integrante, e sim pronome relativo, ocorre na alternativa C.
✅ Resposta correta: C) Não estou certo se ela praticou o alvitre lembrado pela dona da casa de que já falei.
PMMG, se Deus permitir pertenceremos
Marcos 9:23
Tudo é possível ao que crê.
C
Na alternativa C, o termo "que" é um pronome relativo, pois retoma um substantivo e exerce a função de objeto indireto. Nas demais opções (A, B e D), o "que" é uma conjunção integrante, servindo apenas para conectar a oração principal à oração subordinada substantiva. Enquanto o pronome relativo desempenha função sintática dentro da oração que inicia, a conjunção integrante é um conectivo vazio de cargo sintático, sendo um ponto chave na morfossintaxe.
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