... definindo-a como “um símbolo do declínio catastrófico d...
A tragédia vinha sendo anunciada: desde o começo do ano, Nabiré parecia cansada. Portadora de um cisto no ovário, carregava seu corpo de 31 anos e 2 toneladas com mais dificuldade. Ainda assim, atravessou aquele 27 de julho em relativa normalidade. Comeu feno, caminhou na areia, rolou na poça de lama para proteger-se do sol. Ao fim da tarde, recolheu-se aos seus aposentos – uma área fechada no zoológico Dvůr Králové, na República Tcheca. Deitou-se, dormiu – e nunca mais acordou. No dia seguinte, o diretor da instituição descreveria a perda como “terrível”, definindo-a como “um símbolo do declínio catastrófico dos rinocerontes devido à ganância humana”.
Nabiré representava 20% dos rinocerontes-brancos-do-norte ainda vivos. A espécie está extinta na natureza. Dos quatro remanescentes, três vivem numa reserva ecológica no Quênia, protegidos por homens armados. O restante – uma fêmea chamada Nola – mora num zoológico nos Estados Unidos. São todos idosos e, até que se prove o contrário, inférteis.
Surgido como um adorno que conferia sucesso reprodutivo ao portador (como a juba, no caso do leão), o chifre acabaria por selar o destino trágico do paquiderme. Passou a ser usado para tratar diversas doenças na medicina oriental. De nada valeram inúmeros estudos científicos mostrando a inocuidade da substância. O chifre virou artigo valiosíssimo no mercado negro da caça.
Segundo estimativas, no começo do século XX a ordem dos rinocerontes era representada por um plantel de meio milhão de animais. Hoje restam apenas 29 mil, divididos em cinco espécies. A que está em estado mais crítico é a subespécie branca-do-norte.
O rinoceronte-branco-do-norte era endêmico do Congo – país que ainda sofre os efeitos de uma guerra civil iniciada em 1996 que já deixou um saldo de ao menos 5 milhões de pessoas mortas. Diante desse quadro, não houve quem zelasse pelo animal.
Nabiré foi um dos quatro rinocerontes-brancos-do-norte nascidos em cativeiro, no próprio zoológico. Após o nascimento de Fatu, no mesmo zoológico, quinze anos mais tarde, nenhuma outra fêmea de rinoceronte-branco-do-norte conseguiu engravidar. Por isso, em 2009, os quatro rinocerontes-brancos-do-norte que faziam companhia a Nabiré foram levados para um reserva no Quênia. Como nem a inseminação artificial tivesse funcionado, havia a esperança última de que um habitat selvagem pudesse surtir algum efeito. Porém, não houve resultado.
Nabiré não viajou com o grupo por ser portadora de uma doença: nasceu com ovário policístico, o que a tornava infértil. “Foi a rinoceronte mais doce que tivemos no zoológico”, disse o diretor de projetos internacionais do zoológico. “Nasceu e cresceu aqui. Foi como perder um membro da família.”
Há uma esperança remota de que a espécie ainda seja preservada por fertilização in vitro. “Nossa única esperança é a tecnologia”, completou o diretor. “Mas é triste atingir um ponto em que a salvação está em um laboratório. Chegamos tarde. A espécie tinha que ter sido protegida na natureza.”
(Adaptado de: KAZ, Roberto. Revista Piauí. Disponível em: http://revistapiaui.estadao.com.br/materia/eramos-cinco)
... definindo-a como “um símbolo do declínio catastrófico dos rinocerontes devido à ganância humana". (1° parágrafo)
... os efeitos de uma guerra civil iniciada em 1996 que já deixou um saldo de ao menos 5 milhões de pessoas mortas. (5° parágrafo)
Nabiré não viajou com o grupo por ser portadora de uma doença: nasceu com ovário policístico, o que a tornava infértil. (7° parágrafo)
Os pronomes das frases acima se referem, respectivamente, a:
Gabarito comentado
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Comentário da Questão: Morfologia – Pronomes (Referência e Coesão)
Tema central: Esta questão aborda interpretação e referência dos pronomes (anaforia), com destaque para o uso do pronome pessoal oblíquo átono (“a”) e do pronome relativo (“que”), essenciais para a coesão textual e presentes de forma recorrente em provas de concursos.
1. Justificativa da alternativa correta (E):
A alternativa E identifica corretamente os referentes de cada pronome dentro de seu contexto:
- No trecho "definindo-a como ‘um símbolo...’", o pronome "a" retoma o termo feminino "perda", já citada na frase anterior.
- Na frase "guerra civil iniciada em 1996 que já deixou...", o "que" é pronome relativo e se refere a "guerra civil".
- No trecho "o que a tornava infértil", o "a" refere-se à Nabiré.
Fundamento gramatical: Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), os pronomes pessoais oblíquos átonos exercem papel de complemento referencial imediato (ex: "a" = "perda", "Nabiré"). O pronome relativo "que" substitui o termo antecedente (ex: "guerra civil") promovendo organização e clareza textual.
2. Análise das alternativas incorretas:
A) "efeitos" e "doença" não são retomados pelos pronomes na ordem apresentada.
B) "efeitos" e "doença" novamente estão fora de contexto.
C) "pessoas" não é antecedente do "que", e "perda" não corresponde ao "a" da última frase.
D) "guerra civil" não é antecedente do primeiro "a".
Estratégia para provas: Sempre retorne à frase anterior ao pronome, especialmente quando o texto mencionar elementos femininos ou expressões resumidas por “que”. Atente-se à coerência semântica: o referente deve fazer sentido naquele contexto.
Dica de especialistas: Como reforçado por Cunha & Cintra, sempre que um pronome aparecer isolado, procure o substantivo antecedente mais próximo e que concorda em gênero e número para garantir coesão textual.
Gabarito: E – perda – guerra civil – Nabiré
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Comentários
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GABARITO E
... definindo-a (defindo A PERDA) como “um símbolo do declínio catastrófico dos rinocerontes devido à ganância humana". (1º parágrafo)
... os efeitos de uma guerra civil iniciada em 1996 que (GUERRA CIVIL a qual...) já deixou um saldo de ao menos 5 milhões de pessoas mortas. (5º parágrafo)
Nabiré não viajou com o grupo por ser portadora de uma doença: nasceu com ovário policístico, o que a (NABIRÉ) tornava infértil. (7º parágrafo)
que já deixou um saldo de ao menos 5 milhões de pessoas mortas.
O QUE concorda com a palavra que precede e não poderia ser pessoas e nem efeitos , com a palavra "Deixou" só a Guerra Civil
Pra quem tá começando...
Você deve saber distinguir o termo "QUE", porque ele poderá surgir como um pronome (neste caso, você poderá substituí-lo pela expressão "o qual" ou "a qual", conforme já explicado pelo colega abaixo) ou, ainda, como uma conjunção (bizu: vem após um VERBO e tem a função de UNIR duas orações).
Sendo pronome você precisa entender que ele tem a função de RETOMAR alguma coisa (um substantivo ou sujeito), ou seja, no enunciado o que retoma a expressão guerra civil.
Abraço e bons estudos.
Que história triste
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